E depois do Natal?

Natal! Esta época maravilhosa encarada como um oásis intersazonal que faz a transição do outono para o inverno. É o tempo por excelência para retribuir amizades e afetos a quem nos ama ou agrada ao longo de um ano de trabalho ou de convivência. E já agora, também de reunião e, ou reencontro da família. Apesar da metamorfose que o Natal tem sofrido com forte influência do mercantilismo inculcado pela poderosa máquina publicitária ao serviço do comércio, este ainda conserva os seus primordiais valores junto de uma camada demográfica significativa: a partilha, família e Jesus nascido entre nós.
E depois do natal? Entra-se num espaço esvaziado onde a palavra “solidariedade”, que tanto se ouviu através de inúmeras campanhas e iniciativas em prol de instituições de apoio às mais variadas áreas sociais, perde o seu sentido? Penso que não terá de ser assim, necessariamente. Há toda uma vasta panóplia de ações que estão ao alcance do mais comum do cidadão. Trata-se no fundo, de desenvolver o espírito de ajuda ao outro que nos está mais próximo, ou seja, o fator humanitário.
Neste sentido, fica à prova de cada cidadão a capacidade de se automobilizar para desenvolver diligências a fim de colmatar as mais básicas necessidades (dentro do que lhe é possível) de quem é mais desfavorecido por força de uma sociedade que sabemos ser, na sua maioria, exclusora de quem, por vicissitudes várias, não se insere num status social otimizado pela maioria dominante. Por outro lado, e ainda mais utópica, também poderiam ser desenvolvidos esforços para uma mobilização a nível de grupos de proximidade de rua ou bairro; verdadeiro serviço comunitário. Não se trata de haver uma sobreposição ao desempenho das organizações a operar nesses mesmos locais geográficos. Nada disso. Apenas teria como ambição dar complementaridade, senão mesmo a maximização de uma ação interventiva que sempre terá um benefício não só para os mais carenciados, mas para uma sociedade em geral.
Procurar fazer a prospeção sobre a existência de algum vizinho com necessidades prementes, levar algum apoio afetivo, ou até mesmo uma palavra mensageira de esperança, são pequenos gestos que se poderão traduzir numa grande ajuda a quem, por não poucas vezes, não a obtém por quem de vocação institucional não a proporciona a quem mais dela necessita.

João Isabelinha – Licenciado

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