Santeirim é muito mais que um torneio

De 18 a 21 de maio, Almeirim e Santarém receberam mais uma edição do maior e melhor torneio de futebol veterano do país. O Jornal O Almeirinense dá a conhecer, através de uma conversa com Paulo Jacinto, os pormenores da 26.ª edição e do atual momento do União Veteranos de Almeirim que estão a receber também novos elementos para a participação no torneio deste ano.

Como tem decorrido a preparação do torneio para este ano?
Tem decorrido dentro da normalidade. As coisas estão praticamente fechadas, faltando um ou outro pormenor e as coisinhas de última hora que aparecem sempre

Quais as novidades?
Sem dúvida, que o regresso de Dreaux e Macau ao torneio, após alguns anos de ausência, o que nos deixa muito satisfeitos (direção).

Depois de um ano especial como o 25, há um novo ciclo que se abre?
Não diria isso, até porque a direção é a mesma. Este será o último ano de mandato e a partir daí, e consoante quem vier a ficar à frente do torneio, poderá ou não dar-se início a um novo ciclo, novas ideias, novos desafios, alargar o foco a novos participantes de outras paragens, enfim, vamos ver….

Esta organização é singular porque junta duas instituições. Se, por vezes, só numa há divergências que origina ruturas, como é que aqui há tanta sintonia?
São já muitos anos de cumplicidade e todos têm presente que o Santeirim é algo maior e mais importante que ambas as instituições que o organizam. Fazendo com que todos trabalhem no mesmo sentido: o de manter e dignificar este evento com 26 anos.

Como se organizam?
Distribuindo tarefas e responsabilidades a cada um. Cada um sabe do que tem de tratar e todos os outros respeitam as decisões de cada um. Há pelouros atribuídos. Obviamente que há partilha de opiniões, pois ninguém é soberano e da discussão nasce a luz. Respeitamo-nos todos muito uns aos outros.

O facto de serem os mesmos durante muitos anos ajuda a ter “a máquina” bem oleada?
Claro. Durante estes 26 anos a cumplicidade entre os que, durante muitos anos, estiveram à frente do torneio (João Chaparreiro, José Guerra, Amadeu Bernardes, Luís Pina, Francisco Freilao) só para mencionar alguns , foi-se cimentando, transformando-se num know how precioso. Hoje já se torna “fácil” pôr a máquina em andamento, até aos mais novos, como é o meu caso e do Luís Cunha. Este ano contamos ainda com a preciosa ajuda do prof. Mourinha (tricofaites) e do Fernando Almeida (Uva) como observadores com opinião…

Quanto custa o torneio? Como o suportam?
Custa muito……não só financeiramente, mas também da vida pessoal de cada um…
Com as inscrições de cada participante, com os apoios dos nossos patrocinadores, dos nossos parceiros e com o apoio logístico das Câmaras municipais de Almeirim e Santarém, das respectivas juntas de freguesia dos dois concelhos, a quem aproveito para, publicamente, agradecer todo o apoio manifestado ao longo de 26 anos.

Qual o retorno que dá para Almeirim e Santarém?
Retorno há, basta pensarmos na despesa que nos cabe em estadias , refeições, e outros gastos inerentes ao torneio. E depois há o que gastam as comitivas no comércio local. Isto no aspeto financeiro, e depois há a projeção que o torneio traz para os dois concelhos.

Já pensaram em alargar a outros concelhos?
Não. Embora de há dois anos a esta parte, tenhamos também a colaboração da CM de Alpiarça com a cedência do estádio municipal e do autocarro. Obrigado também para a CM Alpiarça.

O Santeirim é mais que um torneio. Porque é que se diz isto sobre este torneio e sobre o futebol veterano?
Porque de facto é. Santeirim é futebol, é amizade, é confraternizaçao, é festa. Para teres uma ideia, há uma percentagem de elementos das comitivas que não vêm para jogar, vêm para conviver, para rever amigos, para celebrar a festa do futebol veterano. Isto é o Santeirim: 4 dias com todos estes ingredientes.
Que outros momentos teremos para lá do futebol nesta edição do Santeirim?
Festa (sorrisos). Animação musical, danças de salão, entre outros atrativos. Muita alegria e animação.

No plano desportivo, que objetivos tem a equipa do UVA?
O UVA tem a responsabilidade acrescida, enquanto fundador e organizador do torneio, de o dignificar na sua plenitude e aí falamos de tentar obter o troféu mais apetecido, a taça disciplina (fairplay). Depois, o que vier será sempre bom.

Não se está a desvirtuar o futebol veterano quando se utilizam jogadores que têm 40 e poucos anos ou, noutros casos, nem quarenta?
Não sei se podemos dizer isso. Está oficiosamente instituído que a idade de veterano é a partir dos 35. A partir daí e até as pernas darem, são todos veteranos…

Por vezes o futebol veterano não é demasiado competitivo?
Talvez. Mas não é também nos escalões mais jovens (sub-6, sub7, sub-8) e por aí?. Claro que há competitividade dentro de campo, então não é isso o desporto, o futebol ? Todos querem ganhar seja em que idade for, se não fosse esse o objetivo, e parafraseando um companheiro veterano, o Sr. José Borrego, “se fosse para empatar, jogávamos sem balizas”.

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