Uma história sobre a associação mais antiga de Almeirim

E por acaso a expressão antiga de dizermos que… Tal terra é mais madrasta que mãe é sem dúvida uma verdade do tamnho de uma carroça ou… Mesmo que às vezes não pareça, acrescentamos nós… Somos exímios para cortar de alto a baixo…Não é por mal que comento estas coisas e outras, mas nunca me disseram que foi em vão ou não foi bem apropriado ou por acaso…Estiveste bem… A dor de cotovelo por vezes nem no osso doi…

Ora acontece ou vai acontecendo e isto bem verdade que Almeirim a tal Vila/cidade que até tinha um cartão de visita que deslumbrava qualquer forasteiro que passasse por cá que éra… o Nosso Jardim…. Há falta de melhor foi durante muitos anos o ponto de encontro para tudo…, mas para tudo, acreditem, conta o meu pai que ali naqueles lugares de relva quando ela existiu… muitos nos anos 30,40 e 50 por ali foram feitos, alguns Almeirinenses.

Na poesia, na pintura, na música, na história e pelos mais diversos ramos de atividade humana onde os Almeirinenses mostraram sempre interesse e vocação, destacando-se por certo muitos dos seus filhos… e é aqui que me refiro, Os Filhos ditos Almeirinenses que nem eram de cá e deram e fizeram o que existiu de Bom…

Por vezes meto o bedelho onde não sou chamado… mas ferve-me uma coisa denominada rouquidão escrevente… Não sabem o que é, pois não?
Pois se, por acaso, alguém estiver convencido que Almeirim só se resume a comes e bebes, e deixa-me estar quieto que alguém o vai fazer, é por essas e por outras que fico sempre mal nas minhas fotografias de criticar… Aqui vai mais uma.

Em 1867, Almeirim constituiu a 1ª Banda, no dia 28 de maio, e por ser esta a data da sua fundação, foi chamada BANDA MARCIAL 28 DE MAIO. As épocas mais brilhantes foram, sem dúvida, de 1893 a 1895 e de 1903 a 1905, era então o Regente o Sr. Joaquim António Martins, que era subchefe da antiga e bem famosa Banda da Guarda Municipal de Lisboa, e o capitão Sebastião Eduardo Douwens, Chefe da Banda Militar…

Em junho de 1895, a Banda teve convites para tomar parte dos Festejos do Centenário de Santo António, em Lisboa, onde tocou no Largo de Camões a Convite, na altura, da Corporação dos Bombeiros Municipais, onde alguns dos Almeirinenses ali se deslocaram de propósito para assistir a mais um extraordinário Concerto. Sem dúvida que a nossa Banda deixou, naquela época, uma demonstração de profissionalismo em que elementos da Banda da Guarda Municipal de Lisboa felicitaram todo o empenho da nossa banda. É então que, no período de 1903 a 1905, a nossa Banda conheceu os maiores momentos de êxito; só que não há bela sem senão e em 1906, com a saída do Regente, a Banda deixou finalmente de existir.

Assim, em 1916, a denominada Associação Recreativa de Almeirim, que se encontrava, naquela altura, onde era a famosa Oficina dos Quinas, hoje junto ao Tribunal, e da qual faziam já parte os Srs. Honorato de Mendonça – pai do sr. Mendonça da Farmácia – Joaquim António Gonçalves, Manuel José Andrade, José Augusto Vieira e Manuel Ferreira de Oliveira que mandaram construir uma Praça de Touros em Madeira onde hoje se encontra o nosso Depósito de Água… tendo sido, por essa altura, reorganizada para tomar parte nessas corridas e executar concertos em Almeirim, uma Banda de Música privativa da Referida Associação e composta por elementos da antiga Banda Marcial… Para recordar, ficam por aqui dois exemplares das ditas corridas em 1916 e 1918.

A dita Praça deixa de existir em 1920, e a dita Banda acabou em igual data… Há então um interregno de quase 20 anos, para surgir novamente a 21 de maio de 1931 e a sua inauguração a 1 de janeiro de 1933… e por aí tem vindo com os seus pífaros com algumas desafinações… Para recordar, ainda esta Banda que, em julho de 1904, tocou para o então El-Rei D. Carlos, em Santarém. Executou um fenomenal Concerto no Jardim da Cidade, sendo delirantemente aplaudida por uma numerosa e já categorizada assistência. Naquele dia, um dos mais conceituados Maestros da altura, o Chefe Galiano, da Banda de Caçadores nº 8, veio de propósito ver a dita Banda e abraçou com entusiasmo o seu colega pela execução do extraordinário Concerto.

De recordar que, por ocasião dos referidos festejos, a Banda inaugurou um rico e vistoso uniforme, feito numa das mais conceituadas Alfaiatarias de Lisboa, cuja oferta foi feita, na altura, pelo Presidente da sua Direção, o Sr. Manuel Andrade, seu grande Benemérito, o qual ainda mandou construir, à sua custa, um carro para condução da dita Banda e um portátil Coreto, puxado a três parelhas de muares e guiado por um dos seus cocheiros.

Augusto Gil

Assim de baixo para cima da esquerda para a direita….
1º Plano: António Berimbau, Gabriel Costa, Bernardo Valentim, José Andrade, Carlos Salvaterra, Francisco Marmelo e Manuel Garimpa.
2ºPlano: Manuel José Andrade, João Augusto, Alfredo Andrade, Manuel Pacheco, Manuel Marmelo, António Custódio e Albino Jordão.
3º Plano: António Pratas, Tomé António, Celestiano José Calado, José Correia, João Garimpa e Matias Nunes…
No Ultimo Plano: João Cabecinha, Porfírio da Piedade, Jaime Andrade, Manuel Longo e o Regente Martins…

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