Da esquerda para a direita: Adiar soluções

Aproxima-se mais um ato eleitoral, e podemos usar este momento para olhar um pouco para trás e perceber o que melhor se poderia ter feito. A CDU exerce o mandato na oposição, pois foi essa a posição que os Almeirinenses lhe deram. Tem o dever e a obrigação de exercer uma ação fiscalizadora sobre a atuação da maioria socialista, que governa esta câmara há mais de duas décadas.

1. Um dos assuntos pelos quais a CDU se tem preocupado, para que haja uma eficiência dos serviços municipais, é a falta de existência das chefias intermédias, os chamados chefes de divisão. Este foi um aspeto que, inclusivamente, o atual presidente, no debate dos candidatos, há quatro anos, mencionou que faria sentido ser colocado em prática. É facto que continuam a não ser providos estes lugares, e os efeitos são visíveis. Houve dois processos disciplinares, que sendo em serviços diferentes, tiveram práticas semelhantes com desvios de verbas das taxas recebidas, e ainda que possa não parecer, este é um problema que advém da falta de chefias. Com efeito, uma maior fiscalização do trabalho dos funcionários, além de inibir este género de comportamentos, levaria a que, a serem tomados, fossem muito possivelmente descobertos mais cedo. A CDU sempre se debateu pelo provimento destes lugares, e o tempo veio, infelizmente, dar-lhe razão. É necessário criar medidas que previnam estas situações para que o serviço público prestado seja de qualidade.

2. No início do mês de julho, saiu na comunicação social uma notícia sobre alguns cães abandonados na Tapada que, segundo consta, chegaram a atacar algumas pessoas. Quando confrontado com a pergunta da vereadora da CDU para quando a construção do canil-gatil, o presidente de câmara limitou-se a “empurrar o problema com a barriga”, remetendo para a comunidade intermunicipal a resposta ao problema, talvez para o ano que vem, mas sem datas nem soluções concretas. Um problema cuja solução, igualmente, se arrasta há anos.

3. Muito fala esta maioria socialista no desenvolvimento turístico do concelho, e é aqui que é mais triste olhar para a realidade desta gestão. Com efeito, a âncora é a Sopa da Pedra, e isso é inegável. Mas o esforço para ir mais além é inexistente. Não existe um roteiro turístico com os principais pontos de interesse da cidade e do concelho (que já existem, apenas têm de ser divulgados). Não estamos a falar de nada que necessite de orçamentos de milhares de euros, mas de uma coisa tão simples como um folheto, com uma informação concisa sobre os mesmos. E para divulgar tudo isto, é preciso ter um posto de turismo no sítio onde os turistas vão – a zona dos restaurantes. Coisa que esta maioria socialista reconhece ser necessária, mas que, mais uma vez, “vai empurrando com a barriga”.
4. Está a ser, ao longo de todo o mandato, recuperado o edifício conhecido como “Escolas Velhas”, onde se pretende instalar um Centro de Interpretação. Primeiro conviria saber se sabem o que é o Centro de Interpretação ao certo, sendo o mais preocupante a integridade deste bem patrimonial. Com efeito, a sua recuperação foi feita sem um projeto para o que viria a ocupar este espaço. Quando esse projeto se fizer, dificilmente não será necessário mexer em coisas como focos de luz, tomadas, entre outros, e isto para não falar em coisas como janelas ou paredes. Caso existisse um projeto antes de se iniciar a recuperação, estas situações seriam já contempladas, sem prejuízo de só se aplicar o dito projeto mais tarde. Isto revela mais uma vez, a falta de visão a longo prazo desta gestão de maioria socialista. Ou se quisermos ser mais claros, vemos que há uma gestão para as próximas eleições e não para as próximas gerações.

Samuel Rodrigues Tomé – Membro da CDU-Almeirim

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