O Vale da Morte

No estado da Califórnia, Estados Unidos da América, existe uma região desértica, árida, cujas características geográficas a tornam uma das mais quentes do mundo. Por este motivo, a vegetação é inexistente e o cenário habitual é hostil, merecendo por isso o nome de Vale da Morte. Aqui, ninguém espera ver brotar da terra qualquer amostra de vida e toda a comunidade sabe perfeitamente que é assim!

No entanto, há alguns anos, houve um período raro de chuva intensa no Vale da Morte. A chuva veio, foi e nada mudou, até que… Na primavera seguinte, o Vale da Morte se cobriu de um magnífico manto de flores. Afinal o Vale da Morte não estava morto, apenas adormecido. Com o estímulo certo, neste caso da chuva intensa, a vida latente revelou-se!

Este episódio está cheio de paralelismos com a vida humana e é uma metáfora fabulosa que podemos aproveitar para refletir: Quando desistimos de alguém por não acreditarmos que possa revelar progressos ou mudanças positivas, quando um professor desiste de um aluno por pensar que este não tem mais para dar, quando uma família desiste de um idoso por achar que o seu tempo já passou, quando um marido ou uma esposa desiste da relação com o cônjuge por acreditar que já nada mais existe entre os dois, ou quando trancamos alguém dentro de um ‘frasco rotulado’ e o impedimos de renascer; quando tudo isto acontece, é como se estivéssemos a acreditar que o Vale da Morte está morto. Afinal de contas, sempre que desistimos, é isso que fazemos – deixamos de acreditar, deixamos de esperar – desesperamos!

Há relações interpessoais que em tempos foram prados verdejantes, outras que continuam a sê-lo, e outras ainda que o podem vir a ser. Mas se a fotografia do árido Vale da Morte é a que melhor representa, num dado momento, uma relação entre humanos, podemos acreditar numa de duas coisas: ou que nenhuma forma de vida rasgará esse solo seco ou, por outro lado, que existe sempre a possibilidade de nos surpreendermos positivamente se aplicarmos o estímulo certo! Tal como a Natureza utilizou a chuva, podemos nós utilizar a criatividade ao serviço do ser humano e procurar a ‘chave’ certa – basta continuarmos a confiar!
Se, afortunadamente, já somos daqueles que conseguimos olhar para a humanidade com a confiança de que é possível sempre surpreender-nos com o seu potencial, importa então ir pelo mundo e pelos círculos a que pertencemos espalhar esta visão! É importante mostrarmos a nossa herança para que nesta Terra brote nova esperança! A Humanidade precisa de acreditar que a vida existe sempre, e que apenas aguarda o nosso sim, a oportunidade certa!

 

Telmo Marques – Coach

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