“Se um dia for profissional terei de abdicar de muita coisa”

João Macedo, atleta da secção de ciclismo da Associação 20 kms de Almeirim, conquistou pelo clube Mato Cheirinhos/Vila Galé/Etopia a Volta a Portugal de Cadetes Liberty Seguros. O atleta sonha ser profissional da modalidade e representar Portugal pelo mundo.

Como surgiu o gosto pelo ciclismo?
Este gosto pelo ciclismo nasceu em 2009, quando, a convite de uns amigos, fui fazer uma prova de BTT com apenas 7 anos e logo aí fiquei entusiasmado pelo ambiente da modalidade mas também por ter ganho logo nesse ano a geral do mesmo troféu.

Lembra-se quem o ensinou a andar de bicicleta?
Foi o meu pai que me empurrava estrada acima, estrada abaixo quando precisei de tirar as “rodinhas”.

Quais os clubes que já representou e quais os aspetos positivos de aprendizagem que teve neste percurso?
Desde que comecei, já representei cinco equipas: Strix Bike Tem; Marrazes; Craks do Pedal-Município de Coruche; 20 Kms de Almeirim e Mato-Cheirinhos. Todas elas são muito importantes para mim, pois em todas elas conheci pessoas novas que certamente me ensinaram e continuarão a ensinar coisas muito importantes para o meu futuro.

Como se explica que esteja ligado aos 20 kms para que tenha que representar outra equipa?
Esta representação por outra equipa deve-se ao facto de, para poder fazer provas por etapas, todas as equipas precisarem de ter 5 elementos no escalão, o que não era o caso dos 20 kms de Almeirim.

Por vezes não é humano?
Sim, é verdade. O ciclismo é um desporto muito exigente e com muito sofrimento.
Em primeiro lugar, para se estar ao mais alto nível neste desporto tem de se gostar de sofrer. Por vezes, sentimo-nos cansados mas quando se tem um o foco num objetivo só se pode descansar no fim de o cumprir.

Quer um dia ser profissional?
Agora ainda não o posso dizer, mas, provavelmente, se um dia for profissional terei de abdicar de muita coisa.

Onde vai buscar a motivação?
Pessoalmente, é nos resultados anteriores e na ambição de novos no futuro, mas também no reconhecimento que se tem no fim de ganhar algo como o que se passou no fim da Volta a Portugal.

É essencial a boa relação com os elementos da equipa?
Claro que é essencial, porque na estrada são os membros da equipa que me ajudam e fazem tudo para que esteja nas melhores condições. Por vezes, uma boa relação fora de provas é o suficiente para deixarem tudo na estrada por alguém.

E o apoio da família?
Para se chegar a algum lado é essencial pois são eles que estão sempre ao meu lado e me dão os melhores conselhos, mas também com as despesas financeiras, pois neste nível infelizmente não há ninguém que invista neste desporto.

O que representou para si esta vitória em vitória em cadetes? Mudou ou vai mudar a sua vida?
Esta vitória na Volta a Portugal abriu-me uma porta no ciclismo de estrada que me faz sonhar um dia ser ciclista profissional e representar Portugal no estrangeiro.

Falando um pouco mais de si. Aos nossos leitores, como se descreve fora das bicicletas?
Fora das bicicletas, acho que sou uma pessoa divertida e que tenta sempre aprender um pouco mais, dia após dia.

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