Pampilho ao Alto XXXVII

1)
Permitam-me que hoje viaje um pouco ao passado e transcreva aqui alguns excertos de como era visto o associativismo entre os homens, por volta de 1953. Os homens, pelo conhecimento instintivo ou consciência que têm das suas imperfeições, revelam tendência natural para se associarem, a fim de mais facilmente defenderem os seus interesses ou obterem proveitos que de outra forma lhes estariam vedados se não lançassem mão do auxílio do seu semelhante. Por essa razão, o célebre adágio popular – a união faz a força – não é mais do que a apologia do público às virtudes e às vantagens da associação. Poderemos pois, definir a associação como sendo a reunião de dois ou mais indivíduos que conscientes das suas imperfeições naturais se propõem atingir uma determinada finalidade que, de outra forma lhe estaria vedada. »Sic«

Na eliminação das imperfeições humanas está pois a origem da associação, que, sendo de direito natural, impõe ao Estado o dever de a reconhecer e aceitar. Do sobredito, releva que a Associação não era uma imposição do Estado mas uma faculdade natural de os homens ultrapassarem as sua limitações sem imposições ou grilhetas do Estado que, por direito natural, as aceitava.

Na origem desta ideia base estão (para além de outras) o nascimento das adegas cooperativas, que durante alguns anos foram o pulmão económico das regiões onde se inseriam. Malfadadamente, algumas por falta de conhecimento dos seus associados, foram elegendo direções sem critério de mérito, e por vias disso, não atingiram os objetivos que se propunham, ou seja, obter para os associados aquilo que por si só jamais conseguiriam, acabando mesmo por encerrar. Outras porém, com o advento do 25 de Abril de 1974, foram entregues a gestores revolucionários cujo mérito de gestão era aferido pelo quanto pior melhor, tendo como resultado a falência técnica e económica dessas associações. Pena é, que essas infra – estruturas existem mas são hoje uma mais valia sem rentabilização porque associados descrentes abandonaram o cultivo da vinha e dos poucos que ainda teimam, o capital está de olho vampiresco para sugar o pouco que ainda resta.

O associativismo, tal como descrito em cima, é e continua a ser uma forma de o homem, em associação, atingir o fim que de per si jamais atingirá.
Em modesto entendimento, pelo aconselhamento e acompanhamento, as autarquias terão uma palavra a dizer no ressurgimento das adegas cooperativas, logo, na revitalização económica e social.
1) (in pág. 23 da publicação 20 anos de organização corporativa)

 

Fiquem bem, de Pampilho ao Alto.

 

Ernestino Alves – Advogado

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