Olhos que não veem, coração que não sente ou como um muro de silêncio envolve Almeirim.

Deixemos de parte a política no seu sentido lato e concentremos a premissa anterior estritamente a uma estratégia de comunicação para o concelho na sua globalidade. Parti em 2004 em busca de carreira, primeiro no jornalismo e mais tarde no marketing, mas a cada partida houve sempre, e continua a haver, um regresso marcado às origens, à família, às boas memórias. Ainda assim a distância permite-me de forma crítica olhar para a minha terra natal e reconhecer que nas suas muitas virtudes estão algumas das mais procuradas condições sine qua non para os portugueses sentirem a qualidade de vida que procuram, seja o custo de vida, ou a concentração de serviços públicos disponíveis.

Posto isto, é verdade que há no outro prato da balança uma taxa de desemprego ainda demasiado alta ou uma diminuta oferta cultural. Carências que merecem um olhar atento da sociedade civil e da classe política e dirigente, de resto um pouco por todo o território nacional. Feita esta resenha voltemos ao princípio e a como um muro de silêncio envolve Almeirim. Todas as – muitas – qualidades desta terra plantada à beira Tejo, bem como os seus defeitos ficam entre portas.

O Almeirinense – onde já tive o prazer de trabalhar há muitos anos atrás – que agora completou 62 anos de páginas impressas sobre o concelho é, a par da Rádio Comercial de Almeirim e de alguns outros meios efémeros, o único órgão de comunicação social que permite conhecer mais atentamente o dia-a-dia das gentes e projetos almeirinenses. Se por um lado isto demonstra a sua importância, revela também um problema estrutural de há décadas, a falta de uma estratégia de comunicação interna e externa por parte dos decisores por nós eleitos.

São poucas ou inconsequentes as ferramentas e iniciativas – autónomas – que transportem a cidade ou qualquer uma das zonas integrantes do concelho para além dos muros invisíveis que circundam os seus 222km2. Há 13 anos a viver no Algarve, sei que foram colocados outdoors em algumas autoestradas, que o Festival da Sopa da Pedra foi destaque em pacotes de açúcar e que muitos outras alternativas foram tentadas. Recordo também outro momento de grande impacto nacional, a descida do IVA da restauração, anunciada pelo primeiro-ministro português António Costa em Almeirim. Soubemos capitalizar essa oportunidade para o presente e para o futuro dos almeirinenses que atuam nessa área de negócio?

Qual foi o seu ROI –retorno sobre o investimento –, ou simplesmente como foi depois aproveitada a eventual visita de turistas ao concelho? Melhorámos a nossa presença mediática no palco nacional? A estas perguntas a resposta é, infeliz e invariavelmente, negativa, devido sobretudo à falta de uma estratégia de comunicação coerente.

Como sou almeirinense, como vejo esta terra como minha e dos meus, fico ansioso por ver chegar o dia em que os muros sejam derrubados e o silêncio se torne na exposição mediática que é de todo merecida.

 

 

João Carvalho

Especialista em Marketing Estratégico e Comunicação

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