Alunos da Escola Marquesa de Alorna debatem “Igualdade de géneros” com políticos (c/vídeo)

A Escola Secundária Marquesa de Alorna (ESMA) recebeu a palestra “Igualdade de géneros” inserida no projeto “Parlamento dos Jovens”, na segunda-feira, 11 de dezembro, em Almeirim.

O programa é uma iniciativa da Assembleia da República, tendo como principais destinatários jovens do 2º e 3º ciclos do ensino básico e secundário, indicando como principais objetivos, a educação para a cidadania e participação ativa no plano político e cívico, dando a conhecer a Assembleia da República e estimular a reflexão em temas de interesse público definidos anualmente, são algumas das metas a atingir.

No programa envolveram-se cerca de 60 alunos, contando com a participação do deputado do Partido Socialista, António Gameiro, do Presidente da Câmara Municipal de Almeirim, Pedro Ribeiro, do Diretor do Agrupamento de Escolas de Almeirim, José Carreira e professores.

Durante a sessão foram abordados temas como a distribuição de salários entre géneros, a colocação de profissionais de ambos os géneros de formas igualitárias, violência doméstica e consequentes contextualizações históricas dos temas.
“A ESMA já esteve envolvida há alguns anos atrás, mas no decorrer dos anos não tem havido muito interesse por parte dos alunos”, explica Mário Branco, professor de Filosofia. Em 2017, muitos alunos quiseram participar, com seis listas concorrentes, cada uma com dez alunos e “neste âmbito, endereçámos um convite à Assembleia da República no sentido de vir cá um deputado e é isso hoje acaba por acontecer”, conclui Mário Branco.

Rui Conceição, da turma do 11ºA, faz parte da lista C, explica que a atividade foi bastante esclarecedora, “é um assunto bastante falado hoje em dia, penso que a igualdade de géneros tem bastante relevância na atualidade e penso que devia ser um tema que devia ser abordado mais frequentemente e por mais pessoas”.

Afonso Chau, da lista E, achou a atividade bastante boa, “nunca tinha participado em nada do género, ainda mais envolvendo alguém do governo português, que achei que foi muito interventivo com os alunos”. Adianta que com o incentivo do professor Mário Branco, viu na iniciativa uma oportunidade para os alunos se envolverem na política, “fazermo-nos ouvir e treinarmos o debate e a argumentação, ainda para mais eu que quero seguir direito, acho que me ajuda”, conclui o aluno.

Durante a discussão foram apresentadas algumas soluções, especificamente no plano da alocação de colaboradores de ambos os géneros por quotas. Afonso é um dos que não acha correto, “afinal de contas, tudo deve ser feito a partir das capacidades de cada um e não se é homem ou se é mulher, se não estamos também a discriminar, quer seja colocando leis a favor ou contra, as coisas devem ser feitas com naturalidade, dando oportunidades justas a cada um”.

Sara Marques do 10º C e cabeça da lista D, já tem planos para seguir a área do direito e indica que tem participado no programa desde há cinco anos, já tendo estado presente em sessões regionais e também distritais. Sara acredita que a iniciativa é importante para a sociedade em geral, apontando “desde que houve a revolução do 25 de Abril que os portugueses têm vindo a desenvolver a igualdade de género e a mulher antes não tinha direitos alguns, e se tinha, eram muito poucos, acho muito bem estarmos a reivindicar os nossos direitos”.

A aluna do 10º C expressa algum alívio ao indicar que considera que “felizmente Portugal não tem muita desigualdade, existem em alguns aspetos, mas, em geral, temos igualdade, penso que é bom para outros países que discriminem mais as mulheres que vejam Portugal como um exemplo a seguir”.

A lista D apresentou como principais medidas a defesa de salários igualitários, mais equipas femininas nos desportos e aquisição de palestras anualmente nas grandes empresas, para demonstrar a igualdade géneros. O deputado António Gameiro acredita que este tipo de debate ajuda muito intelectualmente os alunos “trabalham temas, esforçam-se por investigar, por saber mais, e depois no debate e na dialética do debate, utilizam várias ferramentas da intelectualidade”.

O deputado que nos últimos 12 anos tem acompanhado a iniciativa, tem sentido diferenças nos alunos entre o passado e a atualidade “há muito mais desinibição, um maior à vontade das questões em público, na maneira de colocar as questões, um maior empenho na apresentação das suas propostas. Hoje já vimos aqui uma análise mais diacrónica, estudos estatísticos e elementos de sociologia política. É de facto notório esse empenho e essa força de vontade”.

António Gameiro admite também que os alunos levantaram uma questão muito pertinente, como a legalização de quotas a favor do género como fator de aumento da discriminação “porque ela se coloca de facto em primeira fase, mas que é necessária do ponto de vista social para alcançar outro patamar de entendimento sobre a participação de cada um na vida pública”. Elucida em relação às quotas de géneros, “não é um fim em si mesmo, é um meio para atingir o fim”.

O Presidente da Câmara Municipal de Almeirim, Pedro Ribeiro, acredita que esta troca de ideias permite aos alunos “defenderem aquilo em que acreditam, é sempre algo muito importante para seu futuro”. Pedro Ribeiro acredita que, hoje em dia, a defesa da igualdade entre géneros é algo natural. “Acho que não necessitaremos dessas quotas, dei até o exemplo de termos quatro presidentes da Junta, dois são homens, dois são mulheres e a escolha teve claramente a ver com a sua competência e não com o facto de ser homem ou mulher”, conclui.

Gustavo Pacheco

Veja aqui algumas das imagens deste debate:

Debate sobre “Igualdade de géneros” na Escola Secundária Marquesa da Alorna

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