A Vinha a crescer

A Telma e o Tiago não podiam estar mais orgulhosos, as suas vinhas tinham vingado quase na sua totalidade, cerca de 99%. Replantaram o que era necessário e conduziram a vinha, estava a ser estabelecido o princípio do seu destino.

Escolheram o tipo de cordão mais adequado a cada parcela, se era unilateral, ou bilateral, o tipo de poda, a talão, com 2 ou 3 olhos e estiveram sempre muito atentos a cada uma das fases da evolução fenológica (os fenómenos periódicos dos seres vivos, animais e plantas e suas relações com as condições do ambiente) da vinha.

E então que eram tantas, desde a ponta verde até à maturação, iam dez fases, saída das folhas, folhas livres, cachos visíveis, cachos separados, botões florais separados, floração, alimpa, bago de ervilha, fecho de cachos e pintor.

Com as recomendações dos avisos agrícolas das associações a que pertenciam, sabiam o que era fundamental fazer: travar o desenvolvimento de duas doenças críticas nesta cultura, o míldio e o oídio.

A primeira, o míldio, causada por organismos parasitas, que podem penetrar nos órgãos da planta e se manifesta por manchas foliares translúcidas e que se vêem em ambos os lados das folhas. A segunda, o oídio, causada por fungos que têm esse mesmo nome, é superficial (não penetrante) e manifesta-se primeiramente na página inferior da planta tendo o aspeto de feltro branco sujo e depois cinzento, cheirando a mofo.

Obviamente que os tratamentos eram todos realizados de acordo com as normas de segurança, respeitando os limites máximos de resíduos. Afinal de contas tinham estudado e sentiam-se responsáveis por proteger a natureza e reduzirem a sua pegada ecológica!

Tantos fatores que eram tomados em consideração: o controle da água na vinha, as decisões com a carga da vinha. O seu objetivo principal era terem uvas sãs e com a maior produção possível, de forma a potencializarem o rendimento por ha, por isso faziam testes em diferentes zonas da mesma parcela, com a mesma casta, para perceberem se deviam fazer monda de canhos na fase do vingamento/bago de ervilha e na fase do pintor (quando as uvas começam a ganhar cor) – aí é que isto custava aos olhos do avô do Tiago!

Um viticultor que tinha algumas reticências sobre estas práticas e que no seu entender deitar cachos para o chão em fases tão precoces era o equivalente a estar a deitar notas ao vento, e embora os jovens fizessem o possível para lhe explicar o porquê, só ao fim de alguns anos percebeu.

O casal estava felicíssimo com o seu projeto, cada ano que passava sentiam-se cada vez mais realizados e confiantes, cada ciclo de espera para que a vinha estivesse em pleno para eles era equivalente a uma gravidez, em que durante 9 meses a vinha, à semelhança de um feto, ia-se desenvolvendo e brevemente o seu filho/vinho iria nascer!!!

Como seria, que aromas teria, que cor teria?

Rita Conim Pinto

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