Piquete Solidário da Misericórdia de Almeirim apoia família em Cortiçóis

O telhado degradado e falta de condições na cozinha eram as maiores preocupações de Maria Ludovina e de seu filho.

Decorreu durante o mês de março mais uma intervenção da Equipa da Misericórdia que integra o projeto “Piquete Solidário”. Tendo como principal finalidade ajudar famílias mais frágeis do concelho de Almeirim, desta feita, o Piquete Solidário caminhou até ao lugar de Cortiçóis, freguesia de Benfica do Ribatejo. Amigos tomaram a iniciativa e indagaram junto da Santa Casa da Misericórdia de Almeirim a possibilidade da intervenção do Piquete.

Perante a descrição efetuada por pessoas conhecidas, preocupadas com o estado de saúde e as fragilidades da família, o Piquete Solidário foi conhecer a Dona Maria Ludovina Lucas Consciência, reformada, com 71 anos de idade, residente na casa número 46, na rua António Rosa Isabelinha. Não foi a Dona Ludovina que pediu ajuda, nem tão pouco o filho, José Carlos Branco, de 51 anos, que vive com a mãe. Mas o que encontraram foi uma habitação muito humilde, com várias décadas de existência e com as mais variadas necessidades de conservação e reparação.

Em fevereiro, Maria Ludovina fez uma intervenção cirúrgica de natureza oftalmológica que a debilitou e a tornou mais dependente da ajuda da família e dos amigos. Por outro lado, e a acrescentar algum infortúnio a esta família, o filho José Carlos é hemodialisado e também já reformado por invalidez, o que torna esta família mais vulnerável. Maria Ludovina acolheu o Piquete Solidário de braços abertos mas sem grande alegria; foi de semblante mais carregado e alguma tristeza que falou da filha e dos netos que partiram para o trabalho no estrangeiro e do filho que está perto mas doente; “a casa já está mais vazia e agora até tenho espaço a mais”, dizia, enquanto mostrava a sua habitação muito degradada, desde o telhado, ao chão. “Está tudo por fazer nesta casa, nem eu nem o meu filho temos saúde para mais e o dinheiro não chega para estas coisas!”, confessou quando deu a conhecer as divisões da sua casa com condições muito diminutas para uma vida vivida nas condições mínimas de dignidade. A sua maior preocupação é o telhado e as telhas já velhas, algumas partidas, com direito tanto a raios de sol como a pingos de chuva…sujeita às intempéries e ao tempo adverso, esta casa grita por socorro!

E a Misericórdia de Almeirim e o seu Piquete Solidário lançaram mãos à obra, e cinco dias depois, a Dona Ludovina tinha ganho um lava-loiças, uma torneira na cozinha com água quente e fria, um esquentador com saída de gases a funcionar nas devidas condições, saídas de águas para o exterior, uma iluminação melhor, uns Antes Depois vidros das janelas reparados. Fazer pessoas felizes é uma das maiores realizações diárias das Misericórdias, e a de Almeirim, com o apoio de voluntários e a ajuda graciosa de algumas empresas do concelho de Almeirim conseguiu concretizar esta iniciativa e contribuir para uma melhoria das condições de vida da Dona Maria Ludovina e de José Carlos. “Ficámos um bocadinho melhor! Mas fica a faltar o telhado que está tão estragado!”, disse por entre um sorriso mais aberto e um agradecimento pela generosidade e dedicação. De facto, o que o Piquete Solidário fez foi apenas atenuar as grandes dificuldades diárias que esta família atravessa, conferindo algum conforto no seu dia-a-dia. O Piquete da Misericórdia ajudou, algumas empresas juntaram-se a esta ajuda, ajudando, a família ajuda e outros também ajudam sempre com o objetivo de minimizar o sofrimento de pessoas como a Dona Ludovina, a quem a vida tantas partidas tem pregado. A Misericórdia deixa um agradecimento especial à Associação de Solidariedade Social de Benfica do Ribatejo, que ofereceu o almoço à Equipa da Manutenção afeta ao Piquete durante os dias agendados para a intervenção, às empresas e particulares que ofereceram os materiais e aos voluntários que se juntaram a esta intervenção.

Susana Costa

 

Como foi pedida a ajuda ao Piquete Solidário?

Foi através de um bombeiro que trazia o meu filho da hemodiálise, que pediu ajuda à Misericórdia… porque viu que a minha casa era muito pobre.

Que intervenções fizeram na sua casa?

Vieram logo cá a casa e mudaram-me o esquentador que estava dentro da cozinha, mudaram canos, o fogão, fizeram uma pedra para o fogão, um lava loiças para lavar a loiça, que eu não tinha, costumava usar dois alguidares. “… foi um grande alívio para mim.” Andava sempre com a casa de banho cheia de água, tinha de colocar panos para a água não sair, fizeram- me ali um arranjozinho na casa de banho, o que puderam fazer. Colocaram telhas lá também, também lá chovia por todo o lado, tinha que usar um alguidar de água.

De que forma o Piquete Solidário mudou a sua vida?

Aliviou-me mais um bocado, porque acartava os alguidares lá da casa de banho, trazia águas e ia despejar para aqui e acolá e isto foi um grande alívio para mim, porem-me aqui um lava- -loiça e um fogãozinho ao pé.

É hoje uma mulher mais feliz?

Sim, apesar de ter a doença, estou mais contente e “aliviadinha”. Há também mais pessoas que estão precisadas que acho que também precisam. O pessoal é todo muito bom, do melhor, o senhor António e o Rui foram todos muito boas pessoas.  Um dia foi um dia de chuva autêntico, eles coitadinhos lembraram-se de mim, vieram de repente. Começou a chover muito e com vento e eu já estava acamada, eles vieram e eu estava aqui aflita.

Sente-se melhor hoje em dia depois da intervenção na sua casa ?

Agradeço muito aquilo que me puderam fazer, e contínuo a agradecer o que fizerem, que o Senhor esteja sempre com eles. Peço sempre ao Senhor por mim, por todos da minha casa e por quem me tem ajudado. Foi muito importante. Um arranjo para não me chover em cima, e que esteja melhor é o que peço. Eu andava muito doente mas agora ando melhor.

A sua prima foi uma ajuda fundamental para si ao longo desta intervenção?

Ajudou-me na limpeza e estive lá com ela quando estive muito doente. Estive lá duas semanas, o meu filho foi para o hospital com uma broncopneumonia e ela levou-me para lá, que eu não estava capaz. Ficou a faltar a remodelação total do telhado, tem esperança que essa intervenção aconteça? Tenho muita esperança que isso venha a acontecer. O Sr. Rui da Misericórdia já trocou algumas telhas e remediou alguma coisa, mas quando a chuva é “tocada a vento” ainda entra água cá em casa.

.