Henrique Leonor Pina: Professor e Ilustre almeirinense

Perdemos o seu convívio, mas deixou-nos Obra a enaltecer. Faleceu no Hospital Distrital de Santarém no dia 20 de maio de 2018, depois de internamento prolongado.

Nasceu em Almeirim em 1930, onde passou parte da sua infância, pois acompanhou os seus pais em trabalho por Montemor-o-Novo e Évora. Foi nesta cidade que terminou o ensino secundário e o Magistério Primário, aí casou e com 20 anos regressou à sua terra natal como professor primário, o que não invalidou a sua inquebrantável vontade de prosseguir os estudos no ensino universitário que concretizou como trabalhador estudante: matriculou-se em Direito mas, logo depois, o seu gosto pela História falou mais alto, vindo a licenciar-se em Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi chefe de departamento de Recursos Humanos na empresa “Efacec”, em Estarreja/Porto transferindo-se depois para Santiago do Cacém e Lisboa.

Nas suas férias, passadas em Évora, dedicou-se com paixão ao estudo e escavações de monumentos pré-históricos dos quais se destaca a importante descoberta do Cromeleque dos Almendros, as escavações na Anta Grande do Zambujeiro e diversos menhires na região alentejana, em trabalhos de campo que implicavam a constituição de equipas e estreitos contactos com pastores e trabalhadores rurais. Neste âmbito, foi autor de várias publicações, nomeadamente apresentadas no II Congresso Nacional de Arqueologia e sendo referido no livro “Portugal Megalítico”. Nos anos 70 voltou a lecionar no ensino secundário em Lisboa, na Escola Técnica Machado de Castro e Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho.

Homem de cultura, democrata e cidadão interveniente. Desde jovem foi estudioso e leitor compulsivo, sedento de conhecimentos, sensível às desigualdades e injustiças sociais. Com um elevado sentido cívico, foi oposicionista e resistente à ditadura salazarista. Enquanto professor em Almeirim (anos 50), pedagogo inovador e formador de Homens, deixou nos seus alunos a abertura de ideias e sentido crítico, até então pouco habituais. Passados mais de 60 anos nunca os esqueceu nem foi esquecido. Em 1957, quando decorria a campanha eleitoral para a Presidência da República, convidou os seus alunos a saudarem o Gen. Humberto Delgado, candidato da oposição à ditadura, quando este passou por Almeirim, sabendo que os resultados eleitorais viriam a ser falsificados pelo regime de opinião única. Foi um momento de grande euforia e esperança popular que perpassou por todas as gerações até aos mais jovens.

Homem criativo de letras e artes Pelo outono da idade (75anos) mostrou a sua jovialidade intelectual e criativa escrevendo “Os Papéis de S. Roque”, romance histórico passado em Almeirim, obra editada em 2005 por vontade dos seus antigos alunos almeirinenses, e que, pela sua qualidade é merecedora de uma reedição. Em 2014 surpreendeu-nos com a sua faceta de artista plástico, quando nos apresentou uma Exposição de Pintura na Galeria Municipal de Almeirim. Viúvo da sua Rosália e com o falecimento precoce da sua filha Maria João, voltou para Almeirim, terra natal, com uma vontade inquebrantável: “aqui nasci, aqui quero ficar até ao fim dos meus dias!”.
Que seja homenageado e perpetuada a sua memória como ILUSTRE ALMEIRINENSE – Homem de Cultura, Professor / Formador de Homens, Cidadão exemplar, Arqueólogo, Escritor, Artista plástico e amante da sua terra. .

Elias Rodrigues

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