Criação de marca de vinho

Caros leitores, lamento a interrupção que houve na crónica de vinhos, mas para que se situem, o nosso casal amigo, a Telma e o Tiago, uns apaixonados pela cultura do vinho, estavam em vindima na última leitura. E este é sempre um processo que demora tempo, fazer as últimas correções analíticas no fim do vinho estar feito e decidir lotes, são sempre etapas que requerem o seu tempo. (Na realidade estive sem computador…) Mas tudo lhes correu como pretendiam, estavam muito satisfeitos e realizados, tinham obtido bons néctares desta campanha, sobretudo vinhos genuínos e indicadores do terroir (características do solo e clima) onde se situam.

Tiveram um incidente que conseguiram resolver, a fermentação maloláctica do Alicante Bouschet, proveniente da encosta virada a norte da sua vinha nova tinha amuado, isto é, no processo de conversão do ácido málico em láctico, ambos naturais da uva e vinho, sendo este último menos agressivo, houve algum factor que travou esta etapa. Concluíram que pode ter sido o frio sentido, as leveduras malolácticas são muito sensíveis a alguns factores: pH, nível de sulfuroso e temperatura, e visto que a uva deste vinho foi a última a ser vindimada, quando chegou a este nível já estava um pouco de frio na adega. Mas tudo foi solucionado, puseram o seu conhecimento técnico em prática, mas sobretudo o sentido empírico e prático, que tanta falta faz num projeto destes, em que surgem contratempos de várias ordens e precisam de ser resolvidos no imediato e não fazer disso uma tese de mestrado! Colocaram uma mangueira furada em volta cuba, e faziam circular água quente duas vezes por dia, uma de manhã e outra à tarde, passados 5 dias a fermentação estava concluída. Tinham desfrutado da maravilhosa experiência de fazerem os lotes finais dos vinhos, as dezenas de ensaios realizados para avaliar a compatibilidade entre as castas e fazer os respetivos casamentos. É uma sensação de magia, de alquimia, de amor, que arrebata qualquer um quando se chega à ligação feliz entre castas e diferentes características, que se harmonizam e resultam num vinho único e especial. Seguia-se o próximo desafio, batizar o filho querido, atribuir um nome para o vinho.

Queriam que fosse algo diferente do comum, “quinta de …”, “monte de…”, algo que os definisse a ambos e fosse minimalista, fácil de verbalizar para ficar no ouvido e começar a ser uma referência. Após vários estudos e palpites decidiram, o nome do vinho seria “T2”. Porquê? É fácil de explicar, porque foi um projeto concebido pelos 2, ambos com nomes começados por “t”, pela indicação de 2, para ser um vinho partilhado e pela engraçada analogia com a designação da tipologia de um apartamento. O registo da marca foi um processo muito simples e rápido, feito online no INPI, Instituto Nacional da Propriedade Industrial, entidade que protege e promove a propriedade industrial, fazendo um estudo se existe ou não a marca já patenteada e que em caso possível de patentear, assegura a utilização exclusiva da marca, através de um pagamento sobre o pedido realizado. Este trata-se de um passo muito importante e que nunca deve ser desleixado, para que mais à frente, seja em que projeto for, não surgirem desavenças comerciais. E já que se fala em comércio. Onde iriam eles vender o vinho? Qual a estratégia, o business plan escolhido? Na próxima leitura saberá!

Rita Pinto – Enóloga

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