Évora atribui uma medalha de ouro a Henrique Leonor Pina

No dia 29 de junho de 2018,dia da cidade, foi atribuída a medalha de ouro da Mui Nobre e Leai Cidade de Évora, a título póstumo, a Henrique Leonor Pina pelos serviços por si prestados, no âmbito da cultura.

Em Cerimonia Solene, no Salão Nobre da Câmara, o Presidente, Sr. Dr. Carlos Pino de Sá entregou a medalha à Sra. Dra. Raquel Pina Caniço, sobrinha mais nova do homenageado que em nome da família agradeceu a honra prestada a seu tio Henrique. Espírito multifacetado e inquieto, Henrique Pina revelou-se como professor, ensaísta, romancista, poeta e pintor amador. Porem a sua grande paixão sempre foi a Arqueologia, a que deu asas, na sua cidade de adoção- Évora.

Nascido em Almeirim, de família modesta, cedo se manifestou como ávido de saber. Criança precoce, aos quatros anos aprendeu a ler na escola particular de uma mestra vizinha, que chamou a sua atenção aos seus pais para esse facto.
Foi assim, que acabada a sua instrução primária, os pais buscaram outras terras, com melhores horizontes, no caso Montemor-o-Novo e, mais tarde, Évora.
Nem um acidente de comboio, aos quinze anos, em que perdeu a mão esquerda e sofreu múltiplas escoriações por todo o corpo, o impediu de transitar de ano e acabar o curso de liceu.

Matriculado em direito, em Lisboa, percebeu que o seu futuro era outro, pois nutria grande paixão pelas crianças e pelo ensino. Assim, tirou o Curso de Magistério Primário em Évora e depois de se casar com uma colega eborense, rumou à sua terra de origem, Almeirim.
Aí lecionou no ensino primário e matriculou-se, como aluno voluntário, no Curso de Ciências Histórico- Filosóficas na Faculdade de Letras, que concluiu já em Lisboa, e onde foi professor do ensino secundário.

Porém, a Arqueologia chamava-o e as suas férias grandes foram passadas durante anos, em escavações de monumentos dolménicos, no distrito de Évora, concelhos de Reguengos de Monsaraz e Évora. O seu contacto fácil e acessível e a sua proximidade de sentir com as gentes simples e trabalhadoras da região permitiu-lhe montar uma rede de informações entre os pastores, guardas rurais e camponeses que lhe deram a conhecer múltiplos indícios de grandes pedras, que ele depois interpretou.

De facto, para além da exploração da anta da Azinheira, da anta da Herdade do Duque e outras em Reguengos de Monsaraz, Henrique Pina explorou ainda a anta Grande do Zambujeiro e procedeu à identificação de outros monumentos megalíticos no concelho de Évora, nomeadamente do grande Menhir dos Almendres e inúmeros outros menhires e cromeleques como o Menhir da Herdade da Correia e das Veladas e identificou vários cromeleques, uns maiores que outros menores como o Cromeleque da Portela de Mogos e o de Almendres. Este último é um conjunto monumental constituído por 95 monopólios dispostos em fiadas sucessivas de aspeto imponente e que ainda hoje causa grande impressão em quem o visita.

Foi por tudo isto, por ter posto a grande cidade de Évora como referencia no mapa arqueológico nacional e internacional contribuindo para o seu maior engrandecimento cultural, se possível, que Évora veio agradecer ao almeirinense Henrique Leonor Pina que nos seus últimos anos resolveu regressar às origens fixando- se em Almeirim.
O seu romance histórico “ Os Papeis de S. Roque” situa-se maioritariamente em Almeirim e Évora, as suas terras de afeição.

Foi por causa desse amor às duas terras que regressou `a casa onde nasceu, embora o seu pensamento se mantivesse vivo em Évora, onde, apesar de já muito doente, queria ainda voltar. Assim, respeitando a sua última vontade: repousar em terra de Alimendes, no Cromeleque, numa cerimónia intima a família mais chegada, irmãos, cunhados e sobrinhos depositaram as suas cinzas, ao entardecer, junto dos grandes monólitos do Cromeleque de Almendes.

Esperamos que o seu espírito livre continue a ir por aí, levado pelas suaves brisas que sopram no “Monte das Pedras Talhas”, como os naturais lhe chamam.

 

Angélica Leonor Pina

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