Calor mata idosos em Almeirim

O ano de 2018 deverá registar um recorde e ser o ano com mais mortes em Portugal. Até ao início de agosto, 71 mil pessoas no país faleceram, ultrapassando por três mil o número de mortes no período idêntico de 2016 e 2017. Em média, morrem cerca de 300 pessoas, diariamente, em Portugal.

As causas mais óbvias poderão ser, em primeiro lugar, o envelhecimento da população portuguesa – em 2015, 2,1 milhões de pessoas (quase 20% da população portuguesa) tinham 65 anos ou mais, numa tendência que irá subir: prevê-se que em 2030 os idosos representem cerca de 26% da população. No mesmo ano, havia 140 idosos por cada 100 jovens, segundo o Relatório de Portugal de Março de 2017, do Gabinete de Estratégia e Planeamento Nacional. Este, por sua vez, pode ser explicado pela melhoria da qualidade de vida, aumento da longevidade e diminuição do índice de fecundidade no país.

A segunda causa poderá estar relacionada com o pico de calor extremo sentido no país nos últimos dias, onde recordes de temperatura foram batidos: no sábado, dia 4 de agosto, mais de 310 pessoas morreram (a maioria dos mortos tinha mais de 70 anos), tornando-se o dia de verão com mais mortes este ano. Logo na sexta-feira, 3 de agosto, registaram-se 226 mortes, sendo a população idosa e as crianças as mais afetadas pelas altas temperaturas.

Em Almeirim, há alguma relutância em falar do tema, mas pelo que o nosso jornal apurou, em poucos dias três pessoas idosas foram encontradas mortas.

No dia 6 de agosto, um homem com 75 anos foi encontrado morto por populares em Fazendas de Almeirim. Pelo que o jornal O Almeirinense apurou, o homem residia em Vale de Cavalos e estaria num campo agrícola a roçar erva. Pelos dados recolhidos, tudo indica que o homem se tenha sentido mal depois da vaga de calor dos últimos dias. Depois, logo a seguir, uma senhora que vivia no centro de Almeirim foi encontrada morta em casa, e já no fecho desta edição, uma mulher foi encontrada morta, no dia 10 de agosto, no Pupo, em Almeirim. A senhora com aproximadamente 70 anos, vivia sozinha e já estaria morta há vários dias, tendo o alerta sido dado pelo filho depois de tentar contactar a mãe e não conseguir.

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