Da esquerda para a direita: Teoria e Prática

Nunca fui bombeiro, nem tenho o mínimo conhecimento de como se combate um fogo. Durante o monstruoso incêndio de Monchique fomos vendo nos diversos canais televisivos o combate heroico de milhares de homens e mulheres que – voluntários na sua maioria – enfrentavam um inimigo brutal que tudo devorava à sua frente.

Nesses dias senti, mais uma vez, tal como a maioria dos portugueses, um grande respeito e admiração por todos eles. Estavam a dar o melhor da sua coragem e do seu saber, sentindo de perto o cheiro e o bafo do inimigo, arriscando a própria vida.

Penso nas condições climáticas loucas, no calor extremo, no vento fustigante. Penso na demografia e nas condições sociais que levaram ao despovoamento de grande parte do interior do país. Penso que temos de nos empenhar em encontrar soluções para o atual (des)ordenamento do território e para as alterações do clima que vieram para ficar.

Diz-se que não há nada de mais prático que uma boa teoria. Mas também não há nada de mais inoportuno e incomodativo que débitos de teorização em cima de um cenário real de combate. As teorias constroem-se em tempos de acalmia.

Senti-me incomodado com a presença nas televisões de plêiades de comentadores e entendidos no assunto que, perante as imagens distantes, debitavam teorias e soluções. Mas, se algo falhou, foi o facto inadmissível de se terem esquecido de levar para o cenário de guerra todos os “doutos” generais que, de tão longe, definiam as estratégias adequadas para conter a evolução do inimigo. A falta que eles fizeram na frente de combate…

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