O Tufão

Os recentes confrontos entre forças policiais e populares no Seixal, e as posteriores manifestações e atos de vandalismo em Lisboa e Setúbal, devem merecer a atenção de todos – políticos e cidadãos – porque situações como esta podem facilmente tomar proporções maiores e imprevisíveis. Sabemos da complexidade dos sistemas que regem as sociedades humanas, por isso seria bom que o bater de asas de uma borboleta na “Jamaica” não provocasse um tufão no resto do país… Acontecimentos como este, dentro da singularidade dos novos tempos que vivemos, geram emoções à flor da pele e extremismos de análise sempre perigosos. Basta ver as redes sociais, esse avatar do novo conhecimento, para nos apercebermos do irracionalismo que prolifera. E, como o caso respeita a minorias étnicas, a gente que vive em bairros degradados e ainda por cima de outra cor, o dualismo é evidente: só existem bons e maus. Deparamos com insultos soezes aos polícias, apelos à violência, afrontas racistas, e o pouco imaginativo “vão para a vossa terra”, isto, num país que tem emigrantes nos sete cantos do mundo… À polícia cabe o dever de impor a autoridade duma forma proporcional, respeitando os direitos essenciais de quaisquer cidadãos e, a estes, o dever de respeitar, obedecer e não exercer qualquer ato de violência sobre as forças policiais. À sociedade, a todos nós, cabe a responsabilidade de encontrar os caminhos da tolerância, evitando que os oportunistas do costume cavalguem estas situações para minar o estado de direito democrático em que, felizmente, vivemos.

Gustavo Costa
PS Almeirim

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