“Gostaria de um dia voltar a Almeirim”

Onde Anda? Padre Ramom despediu-se de Almeirim em Setembro de 2015

Por onde tem andado o Padre Ramom?

Despedi-me da paróquia de Almeirim, no dia 04 de setembro de 2015, dia de madre Teresa de Calcutá. Desde 13 de setembro de 2015 assumi a paróquia de Pedrógão, concelho de Torres Novas, uma paróquia pequena, mas com muito trabalho, com muita vivência cristã, que exige muito mais do ministério do padre que muitas paróquias maiores. Mais tarde, em dezembro de 2017, acabei por integrar-me com outro colega, também brasileiro mas incardinado nesta diocese, e assim recebi mais uma paróquia, a de Assentis, onde estive mais presente no ano passado.

Tem sentido saudades de Almeirim e dos almeirinenses? De quem tem mais saudades?

Almeirim deixou mesmo saudades. Como costumo dizer, a saudade é bom sinal, pois “é o amor que fica”, e só sente saudades quem aprendeu a amar verdadeiramente. Confesso que demorei um pouco de tempo para perceber o povo de Almeirim, e talvez o povo também tenha demorado para conhecer-me. Porém, sempre encontrei pessoas de coração grande, que com muita paciência foram mostrando-me o povo como quem descobre um verdadeiro jardim florido e, assim, fui encontrando muitas belezas.

O que sente ao rever este vídeo que fizemos consigo para a Almeirinense TV quando se despediu?

Ao rever o vídeo, vejo que fiquei muito pouco tempo, e que fiz muito pouco pela paróquia. Sendo um padre recém ordenado, foram os meus primeiros passos, com erros e acertos, mas sempre com o fervor de querer “mudar o mundo”. Eu recebi muito da paróquia, aprendi muitas coisas valiosas para o meu ministério, mas não tive tempo de retribuir tanta generosidade. De modo particular, aprendi muito na missão como capelão da Santa Casa da Misericórdia de Almeirim, principalmente no Lar de idosos. Este vídeo foi gravado justamente no lar, e nota-se o meu nervosismo, pois toda a despedida custa, mais ainda de um lugar onde tive autênticas lições de vida. Voltei ao lar poucas vezes, não por falta de vontade, mas porque os compromissos neste lado não permitiram.

Tinha uma forte ligação aos jovens. Mantém contacto com alguns deles?

Os escuteiros foram outro aprendizado, pois não tinha antes nenhuma experiência com o escutismo. Com os pioneiros em 2016 fui à canonização de Madre Teresa de Calcutá, em Roma, um ano após a minha saída de Almeirim. Não tenho faltado às vigílias das promessas, pois realmente ficou uma ligação muito forte, é o meu modo de agradecer tudo o que recebi do agrupamento 404. Mantenho contacto com alguns chefes, sempre que os revejo é uma alegria. Quando alguma secção vem até ao campo escutista regional, que está justamente em Pedrógão, faço questão de estar com eles. Por estranho que possa soar, tenho também saudades do meu ministério nas exéquias. Ou, falando de outro jeito, onde sinto que muito ajudei famílias concretas foram nos funerais. Realizei muitos funerais, em todos senti muito forte a presença de Deus a conduzir-me para poder dar a palavra certa num momento de tanta dor. Muitas pessoas aproximaram-se deste servidor, com várias mantenho contacto. Em relação aos jovens, aproximei-me de alguns através dos retiros que fiz. Foram poucos, mas todos vividos com muita intensidade. Fui percebendo que muitos jovens tinham uma visão errada sobre a Igreja, e que não tinham percebido que seguir a Jesus Cristo era uma mais valia para as suas vidas, pois não conheciam o divino Mestre. Meu zelo, como padre novo, era justamente fazê-los conhecer a beleza do cristianismo, a sabedoria dos ensinamentos de Jesus. Nos retiros, os jovens perceberam que não há nada na proposta cristã que seja contra a felicidade, pelo contrário, é uma proposta muito sofisticada para mudar o mundo através do amor, mais ainda, mudar o mundo começando por descobrir os muitos dons que Deus já depositou nos seus corações. Alguns, ainda hoje, agradecem-me por ter-lhes apresentado “uma igreja diferente”; mas, sempre digo, o que fiz foi apresentar o cristianismo na sua verdade, e os benefícios de seguir os ensinamentos na minha vida.

Mas tem mantido contacto?

Com quem mais tenho tido contacto é com algumas pessoas que fizeram a catequese de adultos comigo. Posso dizer que a maior experiência que tive no ministério foi justamente na catequese com adultos. Com alguns tenho uma amizade sólida, que só tem crescido. Aproveito para pedir as orações do povo de Almeirim, pois estou a recuperar-me de uma operação que fiz, muito delicada e muito complicada, mas que graças a Deus correu bem. Mais uma vez vi a mão de Deus a guiar os passos na minha vida, mostrando que estou na paróquia certa, no momento certo; graças a uma paroquiana que é médica em Coimbra, especialista justamente da doença que tive, pude ser atendido com rapidez e tanto profissionalismo. Bendito seja Deus!

Um dia gostaria de voltar?

Desde que seja a vontade de Deus, sim. Não fui pároco em Almeirim, mas sim vigário paroquial. Sei que a paróquia está bem conduzida pastoralmente pelo padre José Abílio, com quem aprendi muito, um padre com muita experiência. Da minha parte, estou para servir. Mas realmente não posso esconder: a saudade é grande!

https://www.youtube.com/watch?v=OxT2GN6ISRY

Padre Ramom

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