Batutando na Cultura #29

Hoje vou falar um pouco de José Afonso e da sua música. José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, nasceu a 2 de agosto de 1929 em Aveiro,faleceu a 23 de fevereiro de 1987 em Setúbal. Foi um cantor e compositor português.

É também conhecido pelo diminutivo familiar de Zeca Afonso. A faceta interventiva das composições de José Afonso perpassa toda a sua obra, desde a época das baladas de Coimbra até aos últimos dias da sua carreira. Antes e depois do 25 de Abril, o cantor nunca deixou de abraçar causas e motivos que lhe pareciam justos nem de lutar contra o conformismo e o espírito acrítico.

As suas canções são fruto dessa luta diária, dessa reflexão constante. No período anterior à revolução, as músicas de José Afonso caracterizam-se por ser uma chamada de atenção para as duras condições de vida da população e uma tomada de posição contra a ditadura do Estado Novo. Através da sua música, o cantor denunciava a falta de liberdade de expressão, a repressão, a hipocrisia de um regime alicerçado em fachadas e mitos decadentes, a guerra colonial. Vários são os temas que se destacam, entre elas; os Vampiros, Filhos da Madrugada, A morte saiu a rua. Esta forma de cantar distanciava- -se muito do chamado “nacional-cançonetismo”, das canções promovidas pelo regime.

As suas canções causavam incómodo. Muitas delas foram censuradas e o cantor várias vezes foi parar à prisão. O seu nome e a sua música ficaram para sempre ligados ao derrube do regime fascista que tanto criticou. A canção “Grândola, vila morena” serviu de senha ao “movimento dos capitães” que deu origem à revolução do 25 de Abril. Depois da queda da ditadura, a sua veia interventora não esmoreceu. De cantor de resistência, passou a ser cantor e actor da revolução. José Afonso canta a revolução e as suas esperanças a plenos pulmões, intervindo no processo de construção de uma nova sociedade.

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