Dois conselhos

Numa entrevista concedida à BBC em 1959 (disponível no YouTube), o britânico Bertrand Russell, nome maior da filosofia do século XX, Nobel da Literatura e humanista convicto, deixa dois conselhos às gerações vindouras: um intelectual e um outro de natureza moral. Na primeira mensagem, Russell apela aos jovens do futuro para que olhem para os factos com clareza, que os tomem pelo que são e não pelo que gostariam que fossem. Em tempos de pandemia, todos nós somos, invariavelmente, convocados a olhar para os factos. Boletins diários, alertas, notificações, notícias várias e muitas vezes contraditórias.

O apelo do conde Russell é, desta forma, mais importante que nunca: olhemos para os factos com isenção, sem sectarismo, ideologias ou credos, e a verdade estará mais próxima. Na segunda mensagem, o filósofo e matemático, fala-nos de tolerância. Nas suas palavras – “o amor é sábio, o ódio é idiota” – encontramos uma nota rica e útil em tempos de polarização desmedida e de aproveitamento político. Haverá sempre quem pense diferente de nós, e num mundo cada vez mais conectado e aberto, a tolerância e moderação são agora um ato radical. Russell morreu há 50 anos, ironicamente, de gripe, mas as suas palavras perduram e podem ser um farol nestes tempos de tribulação.

Por Diogo Pascoal

.