Quo Vadis U. E. ?

A pandemia que enfrentamos , se mais não fosse, permitiu perceber que o projeto europeu corre o risco de ficar por isso mesmo…um projeto! A União Europeia quando confrontada com situações de exceção que impliquem uma ação consertada, não consegue responder. E se essa ação implicar dar a mão a alguns dos seus pares, então as coisas ainda se complicam mais e a palavra solidariedade esfuma-se.

Foi assim na crise financeira de 2008, com os consequentes resgates de Portugal e da Grécia com particular violência neste último caso com a humilhação que foi imposta ao povo grego. Foi assim com a crise dos refugiados, em que alguns países do Mediterrâneo se viram a braços com uma crise humanitária sem precedentes. Aos seus pedidos de ajuda, a U.E. respondeu tarde e de forma insuficiente. E agora desenha-se uma resposta tímida e mesmo assim arrancada a ferros, para fazer frente à crise económica provocada pela pandemia da Covid 19. Os tempos que correm colocam-nos desafios gigantes – lidar com uma crise sanitária sem paralelo na história mais recente e simultâneamente prepararmo-nos para uma crise económica que só se equipara com a que assolou a Europa a seguir à segunda guerra mundial. A posição dos chamados países do Norte não augura nada de bom para o futuro da U.E. e a solução encontrada é insuficiente. Será que vamos ter uma Europa a várias velocidades?

Por António Cruz Martins

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