Ilda Leote em exposição

Está patente na Galeria Municipal uma exposição de pintura da artista Ilda Leote – Retalhos do Nosso Mundo – que se prolongará até meados do mês de julho.

Vinte e dois quadros e ainda pintura sobre cerâmica em temas como naturezas mortas, nus e paisagens, chamam a atenção para a exuberância do movimento e da cor de uma forma absolutamente “pura”.

Nascida em Alhos Vedros, os “Cortiçóis” são agora a sua casa. O espaço e o tempo ideais para se dedicar à pintura que começou tarde para Ilda. Diz que “nem fazia ideia que pintava”. Só queria comprar um quadro para uma parede da casa na Casa Ferreira, em Lisboa, mas saiu de lá com telas, pincéis e pigmentos.  Tinha 47 anos. Depois parou de pintar; o marido não achava graça… Mas um dia disse: “Já chega, vou pintar! Se não quiseres, podes seguir a tua vida!” Seguiram os dois a mesma vida mas o óleo, o pastel, o carvão, sanguínea, acrescentaram-lhe a cor. Apenas um ano em Belas Artes; demasiado abstracto. Por isso aperfeiçoou técnicas sozinha e chegou a contratar uma professora para lhe “ensinar as transparências”.

Gosta de nus e terminou recentemente uma encomenda. A delicadeza, a voluptuosidade, o movimento do corpo nu, escondido em transparência pode bem ser o tema da próxima exposição. O torso nu, envolto numa transparência azul e que domina a exposição na Galeria Municipal, pode muito bem ter feito germinar na artista uma nova estética.

Já tinha tentado fazer uma exposição há uns anos mas não teve resposta. Surgiu agora a oportunidade, pela mão de José Casebre. O tempo não se procura; é ele que nos encontra. O momento certo, diria Deleuze, é o tempo mais perto do universal perfeito. Ei-la.

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