Reescrita

Fomos surpreendidos, recentemente, pelas declarações de um deputado do PS que disse que o mamarracho do Padrão dos Descobrimentos num país respeitável devia ter sido destruído. Também insatisfeito com a forma como decorreu o 25 de Abril o mesmo deputado referiu que “o 25 de Abril de 1974 não foi uma revolução, foi uma festa” e que “devia ter havido sangue, devia ter havido mortos”. Não podemos reescrever a história nem fingir que ela nunca aconteceu. Seja nos descobrimentos, nas revoluções ou noutros temas. A história contém coisas boas e coisas más. Sempre. Os Portugueses fizeram muitas coisas das quais se devem orgulhar mas certamente não fizeram tudo certo. Ninguém nunca o faz.

“(…) sobre todas as pessoas para que todos fôssemos pequenos Ascensos aos quais só faltaria termos o seu corte de cabelo por obrigação legal, como acontece em todas as ditaduras. Mas não somos a Coreia do Norte. Felizmente!

Este deputado que defende que devia ter havido violência na revolução de Abril que, caso não tivesse havido o 25 de Novembro muito provavelmente teria havido para grande gáudio do ilustre deputado, demonstra bem o nível intelectual e de superioridade moral do indivíduo. Ele pretende, pela força, impor um pensamento único, o seu, sobre todas as pessoas para que todos fôssemos pequenos Ascensos aos quais só faltaria termos o seu corte de cabelo por obrigação legal, como acontece em todas as ditaduras. Mas não somos a Coreia do Norte. Felizmente!

O problema das suas declarações reside no facto de ele ter uma visão enviesada da história. Ver apenas o copo meio cheio ou meio vazio apenas significa que não se consegue entender que apenas se tem
pela frente um copo com metade da sua capacidade.

Para quem é eleito por um partido que se diz de centro-esquerda parece ter opiniões pouco compatíveis com o que é a democracia: a liberdade de expressão, de pensamento e, acima de tudo, buscar a melhoria da sociedade através da análise de todos os prós e contras que qualquer solução acarreta. Isso é incompatível com os radicalismos.

João Lopes
PSD Almeirim

Artigo de opinião publicado na edição impressa de 1 de março de 2021

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