Especial pandemia: Maria de Clara Pó afirma que a pandemia “Colocou à prova a resiliência”

No dia 6 de março, fez um ano que surgiu o primeiro caso de Covid-19 no concelho de Almeirim.
A edição impressa de 1 de março do jornal O Almeirinense abordou a situação de um ano de pandemia com um conjunto de entrevistas que retratam a luta do concelho contra a Covid-19 e a opinião dos entrevistados sobre o tema. A segunda entrevistada foi Maria Clara Pó, Presidente da Associação de Solidariedade Social de Benfica do Ribatejo, que explicou as dificuldades e os desafios que a pandemia trouxe à associação.

A Associação de Solidariedade Social de Benfica do Ribatejo foi outra das associações do concelho que passou
dificuldades durante a pandemia da Covid-19. A associação contou com 30 utentes no Centro de Dia, onde atualmente 17 estão ativos. Em apoio domiciliário contam com 30 utentes e 29 na Creche, onde um utente em apoio domiciliário
e um utente do Centro de Dia ficaram infetados.

A associação de Solidariedade Social não registou mortes causadas pelo Coronavírus. Atualmente, são todos testados de 15 em 15 dias. Maria Clara Pó, Presidente da Associação, afirmou que a pandemia trouxe diversas dificuldades para a associação como logísticas, psicológicas, sociais e económicas e que afetaram utentes, funcionários e famílias da associação.

A Associação de Solidariedade Social de Benfica do Ribatejo enfrentou a pandemia e arranjaram soluções para
se adaptarem à Covid-19: “Fomos seguindo as normas que nos foram chegando e fomo-nos habituando a
conviver com a mudança e colocar a nossa capacidade de resiliência a toda a prova”, admitiu Maria Clara Pó.

No entanto, a associação teve de superar desafios naquele que, em março, faz um ano desde o aparecimento da Covid-19 em Portugal: “Os maiores desafios têm sido a necessidade de motivar e ter uma ação impulsionadora
de confiança e esperança tanto ao nível dos utentes como dos funcionários”.

“A vacina é vista como algo mágico e urgente.”

Para Maria Clara Pó, não existem dúvidas que todas as pessoas ligadas à associação têm passado por muitos sacrifícios no último ano, desde funcionários a utentes: “As funcionárias das respostas de apoio a idosos nunca confinaram. Seguimos o nosso trabalho diário, embora vestidas com a farda do medo, o trabalho continua a ser realizado.” Sobre os utentes, a presidente afirmou que muitos não percebem a situação pandémica, outros não possuem habitações com condições para ficarem confinados ou suporte familiar, onde a maioria regressou do primeiro confinamento
“muito debilitados física e psicologicamente”. Os sacrifícios também aparecem no formato monetário, onde a presidente da associação conta que a pandemia aumentou em muito as despesas em equipamentos de proteção individual, pontos de desinfeção, sinalética, combustíveis e equipamentos de transportes de refeições.

No entanto, com a chegada da vacina, Maria Clara Pó acredita que a vacina é a solução de uma pandemia que parece não chegar ao fim: “A vacina é vista como algo mágico e urgente. Sabemos que será necessário continuar a ter precauções, mas vai permitir retomar alguma normalidade e salvar muitas vidas. A solidão mata e os nossos idosos necessitam o quanto antes de voltar à Instituição e à sua normalidade.”

Foi realizado um teste por funcionário antes da reabertura do Centro de Dia e Creche e Maria Clara Pó contou
que a Câmara Municipal de Almeirim foi a impulsionadora de se realizarem os testes de 15 em 15 dias, algo
que para a Presidente da associação é uma mais-valia. Com os testes, a associação preveniu-se de surtos que, até ao momento, não existiram.

A associação recebeu apoios para o equipamento necessário para combater a Covid-19, colocar pessoas para reforçar e na manutenção de vagas. No entanto, para Maria Clara Pó, existem outras organizações que deram o maior apoio: “O grande apoio, sempre oportuno e disponível tem sido, sem dúvida, o do Município e da equipa do UCC que estão sempre prontos a responder aos pedidos de auxílio.” A presidente também afirma que todas as pessoas ligadas à associação estão sedentos de afetos e contacto humano.

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