Especial pandemia: Inês Carrilho afirma que “Os funcionários têm sido uns verdadeiros heróis”

No dia 6 de março, fez um ano que surgiu o primeiro caso de Covid-19 no concelho de Almeirim.
A edição impressa de 1 de março do jornal O Almeirinense abordou a situação de um ano de pandemia com um conjunto de entrevistas que retratam a luta do concelho contra a Covid-19 e a opinião dos entrevistados sobre o tema. A sexta entrevistada foi Inês Carrilho, Diretora do Centro Paroquial de Almeirim, que destaca as parceiras criadas e o sentido de responsabilidade de cada um dos funcionários.

Que balanço faz deste ano de pandemia no Centro Paroquial?
Este ano de pandemia no Centro Paroquial tem sido caracterizado essencialmente por um desafio permanente à nossa capacidade de resiliência, resistência, discernimento, perspicácia e criatividade.

Têm sido um mês de muito esforço de todos ?!
Têm sido muitos meses de esforço e sacrifício pessoal e coletivo.

Almeirim teve poucos casos em lares. A que se deve este sucesso?
Esse sucesso resulta essencialmente das redes de parceria criadas e da excelente articulação entre elas, do envolvimento e sentido de responsabilidade de cada um dos funcionários e da colaboração e compreensão das famílias.

Como sente os trabalhadores e utentes?
Os funcionários têm sido uns verdadeiros “heróis”, estando diariamente na linha da frente ao serviço de todos
aqueles que acolhemos, num misto de sentimentos e angústia internos por estarem a lidar com o desconhecido,
por um lado, mas por outro, guiados por algo bem mais forte que nos dá forças e nos relembra diariamente do nosso compromisso e sentido de serviço aos outros.
Os utentes residentes estão todos bem, vive-se um ambiente de muita serenidade e paz na “Nossa Casa”. O apoio
espiritual e a palavra de ânimo e conforto permanentes por parte do nosso Presidente da Direção, Pe. José Abílio,
tem sido fundamental no equilíbrio emocional de todos e na confiança que sentimos.

“As eventuais sequelas que daí poderão decorrer, estão relacionadas com processos internos, nomeadamente com estratégias de coping e os sistemas de suporte emocional que cada um experiencia.”

As saudades da família são muitas?
Sim, a saudade da família é inquestionável. O toque, o abraço, o mimo com algo que lhes trazem são certamente a grande ausência na relação com a Família.
Felizmente desde o dia 7 de março de 2020 que procurámos tudo ao nosso alcance para minimizar o impacto dessa
“distância física”, não podendo aqui deixar de enaltecer o excelente papel de colaboração de todos os familiares.

Há sequelas que ficarão para sempre?
Com certeza esta situação estará sempre na memória de cada um de nós.
As eventuais sequelas que daí poderão decorrer, estão relacionadas com processos internos, nomeadamente com
as estratégias de coping e os sistemas de suporte emocional que cada um experiencia.

A parceria com a autarquia foi também importante para terminar com pequenos surtos?
A autarquia tem sido determinante em cada momento, sempre presente para apoiar em cada constrangimento e sempre disponível para reforçar todo o sistema de prevenção da disseminação do vírus na instituição.

A vacinação já começou. O que sentiram os utentes?
Sim, o processo de vacinação já está concluído na instituição. Utentes e colaboradores ao serviço da ERPI sentiram
uma grande alegria com este passo. Foi reforçada a nossa confiança e esperança.

Acha que agora já falta pouco?!
Gostaria de responder com toda a convicção que sim, mas se há algo que
creio que todos aprendemos com esta pandemia é que temos de valorizar o aqui e o agora, que o amanhã só a Deus
pertence!

A quem agradece nesta oportunidade?
Agradeço a todos os funcionários, utentes e familiares. A todos os parceiros que têm estado ativamente alinhados
e em articulação connosco nesta luta diária.

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