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Frequentemente somos surpreendidos com notícias que dão conta de Municípios que concedem apoios, nomeadamente doações de material de prevenção e combate à Covid-19, a IPSS ou organismos de saúde. Estes utilizam parte do dinheiro que recebem dos contribuintes para comprar máscaras, luvas, álcool gel, etc. Estas doações são publicitadas na comunicação social como grandes ofertas. E muitos cidadãos ficam mesmo muito agradecidos pelo facto. Fará sentido? Mas afinal o que está a ser noticiado não será uma função básica do Estado?
Qualquer político, que queira o bem-estar da população, seja qual for o seu partido, não o deveria fazer? Será que a nossa sociedade está assim tão nivelada por baixo que fica muita grata apenas porque o Estado cumpriu o seu dever?

“Triste é que haja quem ache normal que durante 20 anos o Estado se demita das suas funções básicas (…)”

Qual deve ser a reação de um cidadão que, por exemplo, durante 20 anos utilizou uma rua muito esburacada que é finalmente arranjada? Ficar muito agradecido? Ou dizer que finalmente o Estado fez o que lhe compete? Claramente a segunda.
Triste é que haja quem ache normal que, durante 20 anos, o Estado se demita das suas funções básicas e ainda fique agradecido quando finalmente corrige o que nunca devia ter acontecido. Que dinheiro é que foi utilizado para estas
compras de material de prevenção para a Covid-19? Sim, caro cidadão, foi o seu.
Não tenha dúvidas. Quero, por isso, agradecer-lhe pelos impostos que pagou que permitiram a aquisição de bens essenciais ao bem-estar de todos, inclusive o seu. Quanto ao Estado apenas peço que faça bem o seu trabalho e se dedique menos à publicidade.

João Lopes
PSD Almeirim

Artigo de opinião publicado na edição impressa de 15 de março de 2021

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