O reerguer da economia em Almeirim

A segunda fase do desconfinamento começou esta segunda-feira, dia 5 de abril, em que estabelecimentos como escolas de 2º e 3ºciclo, esplanadas, museus e feiras e comércios não alimentares puderam abrir portas. Em Almeirim, os proprietários de cafés e comércio abrem portas na esperança de receber clientes e verem novamente o seu negócio fluir.

A perspetiva do comércio alimentar

O Café Império, situado na cidade de Almeirim, é um dos cafés mais antigos da cidade e, assim como outros estabelecimentos, foi um dos que se pôde despedir do atendimento ao postigo e abrir a esplanada para começar a receber clientes. Firmino Apolónia, proprietário do Café Império, começou a atender algumas pessoas que se sentavam à esplanada para pedir um café ou uma bebida gelada e aproveitaram o bom tempo que se sentiu durante a manhã e boa parte da tarde.

Firmino Apolónia (Proprietário do Café Império)

Apesar da esperança de ter recebido poucos clientes na esplanada, Firmino Apolónia afirma ver uma diferença entre o primeiro e o segundo desconfinamento na perspetiva da negativa: “Porquê é que digo isto? No primeiro desconfinamento, notavam-se as pessoas com aquela alegria de querer sair e vir para a esplanada. Hoje, até à data, ainda não se viu isso”.

Mesmo assim, o proprietário do Café Império espera que o bom tempo e o calor sejam razões para que apareçam mais pessoas no seu café e, na sua opinião, acredita que os estabelecimentos não devem ser os únicos a contribuir para o combate da Covid-19: “Cada pessoa tem de cumprir as regras, porque ainda existem muitas pessoas que não gostam de as cumprir, e se todos cumprirmos as regras, conseguimos atacar a pandemia. Se as pessoas, como se tem visto muitas vezes, não as cumprirem, não vamos conseguir e não é agora ou daqui a dois anos. Vamos estar sempre a continuar na mesma.”

Já na Casa das Caralhotas, Amílcar Dias, proprietário, viu as pessoas sentarem-se à esplanada para almoçar ou apenas tomar uma bebida fresca.

Amílcar Dias (Proprietário da Casa das Caralhotas)

Para Amílcar Dias, a imagem dos clientes a chegar mostrou-lhe que “algumas pessoas parecem sentir menos medo” e que disseram sentir saudades de passar e ficar na Casa das Caralhotas. A afluência de clientes foi positiva, onde até à hora de almoço, atenderam entre 100 a 150 pessoas.

Apesar da alegria em voltar a abrir o negócio, Amílcar Dias admitiu estar receoso com o aumento dos casos de Covid-19 no concelho de Almeirim e com medo de poder voltar a fechar.

A perspetiva do comércio não alimentar

Catarina Salazar abriu as portas da sua loja Hello Honey, um dos estabelecimentos ligados ao comércio não alimentar e começou a receber clientes no interior da sua loja. Com um sorriso escondido atrás da máscara, Catarina Salazar afirma já ter recebido alguns clientes na sua loja e tem esperança que neste desconfinamento venha mais pessoas à rua e a visitarem a Hello Honey:

“Apesar de tudo, eu acho que este segundo desconfinamento vai fazer aumentar os casos de Covid-19, porque vai haver mais ajuntamentos, mais propagação do vírus, mas não sei se vamos estar com tantos casos ao ponto de fechar”, salientou a proprietária da Hello Honey.

Catarina Salazar (Proprietária da Hello Honey)

Mesmo com a esperança de se poder restabelecer a economia no concelho de Almeirim, Catarina Salazar sabe que isso pode não acontecer, porque “sei que muitos empresários e muitos negócios irão fechar porque não conseguem dar a volta.” Catarina Salazar, para além da loja física, também vende produtos online que, segundo a mesma, “acaba por compensar as percas físicas”.

No dia de Páscoa, 4 de abril, e antes da segunda fase do desconfinamento, o concelho de Almeirim registou 1284 casos confirmados, 32 óbitos, 21 casos ativos, 1231 casos recuperados, 77 casos em vigilância ativa, e apresentou uma taxa de incidência de 129 por 100 mil habitantes. 

Mariana Cortez

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