Ana Casebre: Da advocacia à política

Para quem não a conhece, quem é a Ana Casebre? Como se definiria?
É sempre difícil falarmos de nós próprios (pausa). Sou uma pessoa simples, que se preocupa muito com os outros e que tenta sempre dar o melhor nos projetos em que estou envolvida e no dia-a-dia.
É advogada de profissão, mas assumiu o lugar de Vereadora a tempo inteiro no Município de Almeirim.

Sempre teve gosto e interesse pela vida política?
Apesar de sempre ter tido interesse pela política, foi só em 2009 que tive o primeiro contacto com a vida política,
quando integrei um movimento independente como cabeça de lista à Assembleia Municipal, sendo eleita Deputada Municipal.
Inicialmente estava entusiasmada mas, ao longo do mandato, acabei por não me rever em algumas das
posições do movimento, o que se tornou numa experiência um pouco desgastante. Contudo, cumpri o mandato para o qual tinha sido eleita até ao final.

“(…) o desejo em contribuirmos para a resolução dos mesmos e dedicarmo-nos à causa pública vai aumentando, tornando-se quase viciante. Foi o que aconteceu comigo”

Posteriormente, em 2013, o atual Presidente da Câmara Municipal de Almeirim convidou-me para integrar a sua lista, explicando-me as ideias e os projetos que tinha em mente para o concelho, convite que aceitei com muito orgulho e entusiasmo, mesmo sabendo que dificilmente seria eleita.
Mais tarde, nas autárquicas de 2017, voltei a integrar a lista, ano em que o Partido Socialista teve o melhor resultado do distrito, acabando por eleger mais um mandato na Câmara Municipal, acabei assim por ser eleita.

“(…) é normal que quem ocupe cargos políticos acabe por estar mais expostos e por ter mais alguma visibilidade e, consequentemente, mais pessoas interessadas nas suas opiniões (…)”

Porém, há quase uma década a exercer advocacia, abraçar este desafio não foi uma decisão tomada de ânimo
leve, mas na verdade nem por um momento hesitei, pois à medida que nos vamos envolvendo com as situações
e com os problemas da sociedade, o desejo em contribuirmos para a resolução dos mesmos e dedicarmo-nos à causa pública vai aumentando, tornando-se quase viciante. Foi o que aconteceu comigo.

Qual foi o maior desafio pessoal ao ocupar o cargo de Vereadora?
O maior desafio pessoal foi sem dúvida a gestão do tempo com a família. Na verdade, a vida de autarca é muito absorvente. Não há horários, fins-de-semana ou feriados, e por vezes a minha família acaba por ressentir, principalmente as minhas filhas.
Mas, com o tempo, foram-se habituando e compreendendo.

As expetativas que levava ao início têm correspondido à realidade?
Confesso que é mais difícil e exigente do que pensei, mas igualmente mais desafiante.

Enquanto mulher, sente que os obstáculos são mais difíceis de ultrapassar, quer na vida pessoal, quer profissional?
No meu caso concreto, na verdade não sinto esses obstáculos. No entanto, todos sabemos que apesar de todos os avanços, a desigualdade de género é uma realidade que teima em persistir.

Sente que, ocupando um cargo público, tem responsabilidades acrescidas no que diz respeito à sua posição e opiniões em relação a temas fraturantes da sociedade, como a desigualdade de géneros, o racismo e a xenofobia?
Sim, é normal que quem ocupe cargos públicos acabe por estar mais exposto e por ter mais alguma visibilidade
e, consequentemente, mais pessoas interessadas nas suas opiniões e posições, o que é legitimo. Mais visibilidade implica mais responsabilidade.

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