Anabela Tereso: “Estou a apostar fortemente na imagem da Quinta da Atela”

QUINTA DA ATELA Anabela Tereso é administradora da Quinta da Atela desde que o grupo de empresas ValGrupo a comprou em 2017. Contou ao Almeirinense o seu percurso de vida e como foi agarrar este desafio.

Quem é a Anabela Tereso?
Sou de Alcobaça, nasci em Turquel e sou uma pessoa, hoje posso dizer, quase realizada. Tenho uma família que me apoia a cem por cento e eles são o meu pilar. Costumo dizer que tenho o melhor da vida: a minha família. Hoje, sou uma pessoa igual ao que era há trinta anos. Com mais rugas (risos), faz parte da idade, mas não mudei basicamente nada. Sou uma pessoa teimosa e sinto-me orgulhosa de ter chegado onde cheguei.

Como é que veio parar a esta quinta ribatejana?
Conhecia Alpiarça só como um local de passagem. Pontualmente, passava por cá. Entretanto, o meu marido soube da venda desta quinta e achou que poderia fazer parte do nosso grupo, Valgrupo. A quinta da Atela surgiu como uma oportunidade de negócio e acabámos por comprá-la.

E depois decidiu tomar as rédeas deste projeto?
Quando cheguei à Quinta da Atela fiquei um bocadinho desagradada com aquilo que vi. Esperava uma quinta toda embelezada, toda bonita, mas encontrei um espaço muito mal cuidado. O meu marido dizia: “Tens que ir tomar
conta da quinta da Atela”. E eu dizia-lhe: “Então não foste tu que fizeste o negócio? Agora tens tu de tomar conta
dela” (risos). Mas, na realidade, aceitei o desafio e, em 2018, comecei a organizar toda a estrutura da quinta. A pergunta que me fiz foi: “Começo por onde?”. Decidi começar pela imagem. A imagem que existia estava desatualizada e não fazia sentido fazer o seguimento do existente. Fiquei muito satisfeita com a imagem que criámos, ficou bastante positiva.

“O turismo é muito preciso em todas as regiões e esta ficará mais rica porque a Atela reúne condições para que as pessoas possam vir, visitar e passem aqui umas horas agradáveis de lazer”

Como é que foi o processo de recuperação e remodelação da quinta?
Quando comecei a recuperação da quinta, achei que a parte que estava mais a precisar de obras era a casa principal e o espaço da piscina. Estas estruturas existentes estavam danificadas e o que fiz foi reestruturar, decorar, embelezar e dar à Atela aquilo que não tinha. Depois a parte do exterior era basicamente lama e pó e isso incomodava-me bastante. Estava a remodelar e o pó sujava tudo o que fazia. Então, arranjei todo o espaço exterior da quinta e ficou com um ar muito mais convidativo e limpo.

Anabela à conversa com O Almeirinense

Entretanto, em maio, irá ser inaugurada uma parte nova…
Sim. Pensei em fazer uma loja nova, diferente, tipo museu. A quinta tem muitos espaços e achei que faria falta à nossa marca, para a tornar mais forte, uma loja física. Comecei por ter algumas dificuldades com este projeto porque tudo passa por mim. Eu quase tenho que ser o pedreiro, o servente, a decoradora (risos)… Comecei, então, no final de 2020, por limpar as adegas e havia ali muita coisa para fazer. Quando começamos a fazer trabalhos em espaços degradados, mexe-se num lado e aparecem coisas para fazer noutro e tudo acaba por levar mais tempo do que o que se previu. Penso que ficará concluído no final de abril. Teremos, com a conclusão das obras, quatro espaços diferentes para eventos, para além da loja. Estou a apostar fortemente na imagem da Quinta da Atela, nos espaços que temos, no turismo. O turismo é muito preciso em todas as regiões e esta ficará mais rica porque a Atela reúne condições para que as pessoas possam vir, visitar e passem aqui umas horas agradáveis de lazer. Aqui nada é impossível de fazer.

“Achei este projeto bastante interessante e que seria bom para as duas partes, quer para Liga dos Combatentes, quer para a Quinta da Atela”

Fale-nos da equipa de trabalho que reuniu à sua volta e da importância que tem neste projeto.
Sem a nossa equipa de trabalho nada disto seria possível. Temos o senhor António, o nosso encarregado, que tem uma equipa que o apoia diariamente no trabalho feito nas vinhas. O engenheiro Menezes que dá todo o apoio na parte da viticultura. O engenheiro António Ventura, o nosso enólogo que já tinha trabalhado na Atela durante vinte anos. Também a Susana Mateus que me apoia bastante e tem sido o meu braço direito. Para além destes, temos toda uma equipa que dá apoio a tudo o que é feito na Quinta da Atela. Este é um trabalho que exige um acompanhamento muito rigoroso e diário e, sem eles, nada disto seria possível.

A Quinta da Atela tem uma parceria com a Liga dos Combatentes, que resultou no vinho “La Lys”. Como surgiu
esta iniciativa?

A parceria com a Liga dos Combatentes era um projeto que já existia com a antiga administração da Quinta. Entretanto, o projeto parou e, quando cá chegámos, fomos convidados a aderir novamente a esta iniciativa. Achei este projeto bastante interessante e que seria bom para as duas partes, quer para a Liga dos Combatentes, quer para a Quinta da Atela. Tem sido muito gratificante trabalhar com a Liga. É um grande reforço e o objetivo final é angariar fundos para as obras que necessitam fazer ao longo do ano e reforçar as suas causas.

“Ser jovem, mãe e acompanhar a educação dos nosso filhos e a criação da suinicultura não foi fácil. Houve muitos, muitos sacrifícios”

A Anabela tem uma história de vida bastante intensa. Fale-nos um pouco do seu percurso profissional e pessoal.
Sou de uma família humilde, somos três irmãos. Casei muito novinha, com 18 anos. O meu marido já estava ligado
à suinicultura. Com 18 anos, pensa-se tão pouco e cresce-se tão rápido (risos). Naquela altura, era tudo mais simples, mais saudável, mais feliz e sem complicações. Então, casei com os meus 18 anos, fui mãe pela primeira vez aos 20 anos e, de repente, vejo-me numa sinicultura pequenina com 20 a 30 animais, e era só eu e o meu marido a levar aquilo para a frente. O meu marido trazia os leitões do Alentejo, eu cuidava deles e, aos poucos, fomos aumentando a criação, com muito empenho, mas também com bastante dificuldade. Ser jovem, mãe e acompanhar a educação dos nossos filhos e a criação da suinicultura não foi fácil. Houve muitos, muitos sacríficos.

Tenho a noção que sacrifiquei os meus filhos a nível do acompanhamento que lhes dei por causa do trabalho. Mas, trabalhando muito, fomos tendo mais animais e, ao fim de alguns anos, tivemos a necessidade de meter algumas pessoas a trabalhar connosco e fomos crescendo. Resumindo, começámos do zero e hoje temos um grupo de empresas no qual empregamos, atualmente, cerca de 1200 pessoas. Hoje, à frente do grupo sou eu, o meu marido e os meus dois filhos. Somos quatro pessoas na família que não interferem nas ideias e no trabalho uns dos outros. Todos nós fazemos asneiras e todos os dias aprendemos com os erros, mas não nos metemos no trabalho uns dos outros. Confiamos e isso é que é interessante e tem uma parte engraçada.

E como são os encontros de família? Fala-se de trabalho?
Pode cair a maior tempestade na rua, pode ter acontecido a maior tragédia, mas o trabalho fica da porta para fora.
O meu marido entra dentro de casa sempre com um sorriso nos olhos. Com os meus filhos, é igual.
Costumo dizer que a maior fortuna que lhes deixo é ter-lhes ensinado a serem simples e humildes e que somos todos iguais. Que o mundo é de todos!

.