Paulo Frutuoso: “Ajudamos os outros a realizar os seus sonhos”

IMOBILÁRIO Com vasta experiência no setor imobiliário, Paulo Frutuoso faz uma avaliação do momento que se vive, das condicionantes e do impacto da pandemia no mercado imobiliário.

Qual o impacto da pandemia no mercado imobiliário?
O impacto da Pandemia no imobiliário prende-se em dois fatores essenciais, o impacto social e financeiro.
O impacto Social diz respeito à relação entre casal e a falsa estabilidade existente entre ambos, algo que neste caso se agravou com a chegada da Pandemia, aumentando assim a taxa de divórcios e separações. Este é, a meu ver, a maior consequência desta Pandemia, pois as famílias, muitas das vezes, vivem numa azafama e acabam por não saber estar juntas, algo que se viram obrigadas nestes últimos dois meses.
No âmbito Financeiro, o impacto faz-se sentir sobretudo nos grandes centros, principalmente em Lisboa e Porto, com a descida a pique do valor dos imoveis, algo que ainda não acontece na nossa zona, embora se especule bastante acerca desta questão.
Outro dos impactos é sem dúvida o acesso ao Crédito, principalmente, a clientes que trabalham nos setores mais afetados, algo que ficou bastante mais difícil. Esta questão é algo que me preocupa, sobretudo, no que diz respeito aos Jovens que, para além dos condicionalismos dos 10% de valor de entrada, veem agora este mesmo acesso mais difícil e exigente.

O plano de desconfinamento gradual do governo, decretou a reabertura do mercado imobiliário logo na primeira fase, em 15 de março. Como encaraste esta medida?
Encarei com bastante satisfação, pois quando se ama o que se faz é normal sentir saudades de trabalhar, não há
nada mais motivador que acordar de manhã e ir em busca da realização dos nossos sonhos, ajudando os outros a realizar os seus próprios sonhos.

Fez agora um ano que o país parou. As medidas de apoio às empresas, no geral, e ao setor imobiliário em particular, foram suficientes?
Não, de todo, os apoios foram ridículos, descontextualizados da realidade e que apenas visou parecer bonito, pois
o acesso aos mesmos não é assim tão simples como aparenta, tem bastantes entrelinhas e parênteses que só quem é empresário consegue ter essa perceção. Felizmente que, da nossa parte, não tenha sido necessário qualquer adesão aos apoios, sendo que também não conseguiríamos, nem estaríamos abrangidos para qualquer um deles, à exceção do Layoff da nossa funcionária, pois todos os outros colaboradores são Empresários e não Empregados. No que diz
respeito ao setor imobiliário, os apoios não existem, pois, as imobiliárias que estão a trabalhar e que têm resultados não têm quebras de faturação, logo não têm acesso a apoios, bem, como na sua maioria as suas estruturas funcionam com Prestadores de Serviços e não com Empregados.
Nós vivemos com uma diferença de tempo de cerca de 60 a 90 dias, ou seja, iniciamos hoje um processo de venda com recurso a financiamento e só o concretizamos em junho, como tal, em pleno confinamento continuamos
a fechar negócios e a faturar, há é que frisar que esses negócios eram, na sua grande maioria, de novembro e dezembro.

Na tua área, contactas diariamente com muita gente. Como sentes o estado de espírito das pessoas? Estão mais cautelosas em relação a investimentos?
Sinto as pessoas cada vez mais despreocupadas com a Pandemia, infelizmente é a realidade. Quanto a investimentos
houve um aumento da procura, pois a adversidade traz a oportunidade, toda esta situação de especulação imobiliária,
no que diz respeito à baixa de preço, faz aumentar a procura de quem tem capitais, pois como bem se sabe o juro está baixo e o capital nos bancos não tem qualquer rentabilidade, sendo o imobiliário a melhor forma de investimento
e a mais segura. Esta instabilidade que se vive faz também com que as pessoas, que possuem alguns capitais, tenham
receio e olhem para as entidades bancárias um pouco de lado, não nos podemos esquecer do que aconteceu no NOVO BANCO e da situação frágil que vivem alguns bancos, principalmente o Montepio Geral.

O mercado imobiliário está, pelas suas características, muitas vezes dependente do setor bancário. Qual tem sido
o comportamento das instituições bancárias no apoio ao investimento, nomeadamente no crédito à Habitação?
As Instituições Bancárias têm vindo a salvaguardar cada vez mais a sua posição,« aumentando o critério de análise, reduzindo o valor de avaliação dos imóveis e inviabilizando o acesso ao crédito a profissionais que laborem nas áreas
mais afetadas, principalmente pequenos empresários e profissionais da restauração.
Os Bancos com as moratórias em curso também tiveram de se conter um pouco no que diz respeito ao crédito,
pois se não entra capital, também há menos capital para financiar. Acredito que, com a volta à normalidade e a retoma da economia, as Entidades Bancárias também voltem à sua normalidade e o acesso ao crédito volte também à sua
normalidade, embora com os seus condicionalismos normais.

Expectativas e desejos para 2021
Para 2021 temos objetivos, claros, concretos e exigentes, contudo, tivemos de redefinir alguns desses mesmos objetivos, pois um confinamento altera dinâmicas dentro de uma Empresa que se quer em constante movimento e em contacto com pessoas, no entanto, este período foi essencial para parar, arrumar a casa e procurar melhorar internamente em alguns aspetos.
Estou confiante neste Ano, certamente superará o ano de 2020 que foi o nosso melhor Ano de Sempre, com mais de 150 Transações Imobiliárias e mais de 2 500.000.00€ em Crédito Habitação, fazendo de nós uma das referências do setor imobiliário na nossa zona de ação. Aliado a todos estes desejos, desejo também muita saúde e que possamos voltar a ser livres como éramos anteriormente, podendo voltar a juntar família e amigos, criando assim momentos únicos e incríveis que dão sentido às nossas vidas enquanto sociedade que somos.

Ana Rita Amaro

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