D. Francisco Mascarenhas morreu na tarde deste domingo, 8 de março, aos 99 anos, na sua residência, em Almeirim.
O decano dos cavaleiros tauromáquicos e um dos últimos grandes representantes dos anos de ouro do toureio a cavalo, faleceu de causas naturais.
Até ao momento, ainda não foram divulgados pormenores sobre as cerimónias fúnebres.
D. Francisco Mascarenhas nasceu em Paço d’Arcos no dia 8 de fevereiro de 1927. É oriundo de uma família nobre com fortíssimas tradições tauromáquicas. É filho do também cavaleiro D. Alexandre de Mascarenhas de quem foi discípulo. Até à alternativa de D. Francisco contabilizam-se cerca de uma dezena de cavaleiros de amadores. Na família notabilizaram-se também vários forcados, o mais célebre dos quais D. Fernando de Mascarenhas que foi cabo do Grupo de Forcados Amadores de Santarém de 1945 a 1948.
Conhecido como o “cavaleiro-fidalgo”, D. Francisco tinha apenas oito anos quando se estreou em público, na antiga praça de toiros de Almeirim, em 1934, numa corrida dirigida pelo tio D. José de Mascarenhas. Na ocasião lidou um novilho da Casa Prudêncio.
Em 1936 apresentou-se pela primeira vez na Monumental do Campo Pequeno, em Lisboa, e com 12 anos de idade rumou a Espanha. Debutou na Praça de Toiros de El Puerto de Santa Maria, em 1937, compartindo cartel com seu pai, D. Alexandre Mascarenhas, e com Manuel Rodríguez “Manolete”, que nessa tarde se despedia como novilheiro. Debutou em Madrid, Las Ventas, a 6 de agosto de 1939 logo alcançando um triunfo que fica na história: a primeira orelha ali obtida por um português.
Na década seguinte, D. Francisco de Mascarenhas regressou a Portugal, tomando a alternativa de cavaleiro tauromáquico na Monumental do Campo Pequeno na noite de 29 de agosto de 1945. Foi seu padrinho, o mestre João Branco Núncio.
Desde cedo radicado em Almeirim, D. Francisco Mascarenhas atuou nas arenas de França, Angola, Moçambique e México ombreando com as grandes figuras da época.
No dia 16 de maio de 1954 integrou o cartel inaugural do novo edifício da Praça de Toiros de Almeirim, compartindo a arena com Simão da Veiga Júnior, João Branco Núncio e Fernando Salgueiro, a cavalo, e Diamantino Viseu e Jaime Malaver, a pé, frente a um curro de toiros das ganadarias Pinto Barreiros, João de Assunção Coimbra e Andrade e Irmão.
O cavaleiro tauromáquico retirou-se das arenas em 1956 devido a problemas de visão causados por uma miopia. Voltaria esporadicamente a pisar a arena, tal como sucedeu na Moita, em 1958, onde concedeu a alternativa ao cavaleiro José Mestre Baptista, depois de lha terem recusado no Campo Pequeno.
Em 2015, a Assembleia Municipal de Almeirim concedeu ao cavaleiro tauromáquico a Medalha de Honra do Concelho de Almeirim.
Já em 2020, foi a vez do jornal O ALMEIRINENSE de prestar homenagem a D. Francisco Mascarenhas, ao atribuir-lhe o prémio Carreira, na Gala d’O Almeirinense, ano em que assinalou os 75.º aniversário da sua alternativa, sendo o primeiro toureiro no mundo que celebrou tal efeméride em vida. Homenagem também prestada no Campo Pequeno pelo empresário Luís Miguel Pombeiro.
Em 2023, D. Francisco Mascarenhas, foi homenageado na Feira Nacional do Cavalo, onde recebeu o Prémio Carreira “Carlos Relvas”, por 78 anos de alternativa e 90 anos de Feira, no Largo do Arneiro, na Golegã.
O jornal O Almeirinense endereça as mais sentidas condolências à família e amigos de D. Francisco Mascarenhas.






