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Opinião

A alimentação material e espiritual

Por: Inês Ribeiro 16 de abril, 2026 5 minutos de leitura

O pão teve um papel preponderante na alimentação do povo da nossa vila, assim como as hortaliças, a caça, alguns animais domésticos, juntamente como o azeite cru ou frito com cebolas, mas as doces, as cenouras as castanhas, labaças, agriões, tubaras, cagarrinhas, e até as famosas bolotas e até mais tarde as azinhas, as batatas-doces cozidas e fritas, espargos selvagens e há quem comeu os figos lampos cozidos das figueiras bravas. Depois, veio o milho e mais tarde a batata, o arroz e o peixe seco (bacalhau e outros), o peixe de água doce vindo da vala e do Tejo desde há muito era utilizado uma vez que estava acessível tal como, o barbo a dita famosa fataça e sem esquecer que por aqui existiu em tempos o sável e a lampreia e ainda hoje, a enguia. Gastava-se na alimentação o azeite e o vinho. O arroz doce uma receita ancestral que era feito com mel, (contavam os mais velhos aos mais piquenos que se espremiam as abelhas para o ter e depois apreciamos com bolhas nas mãos e eles riam-se…), as rabanadas, velhoses, as fatias paridas, as broas de mel muito utilizadas pelas gentes do Norte em casamentos e coscorões e quer queiram quer não, são receitas também nortenhas que eram mais comidas na época do Natal e Reis. Só em dias de festa é que se comiam as carnes com tempero, neste caso carne de porco. Temperadas nas caldas que retiravam o gosto a bedum; o tomate e o pimentão, os cravinhos e porque não, falar que as ervas aromáticas tão apreciadas hoje, eram na altura um meio de adulterar o gosto que hoje quando alguma coisa está fora de prazo, deitamos fora. Dantes o leite azedo era sobejamente aproveitado para fazer nem que fosse 2 ou 3 queijos, esta é a verdade. Hoje quando temos um resto de um cozido à Portuguesa nesta hipótese onde uma porção de carne que sobejou e os restos, a vamos picar para fazer empadão, dantes por falta em algumas casas as denominadas máquinas que com á mão e com manivela triturávamos a carne ou outros alimentos para o fazer, era sem duvida uma pasta que era para muitos uma experiencia ou novidade que antes dela, fazia-se com o resto do dito cozido, com um ramo Hortelã e umas massitas, uma sopa com pão e o resto da carne que era sempre frita em azeite com o chouriço a dar o gosto ou a morcela que dava até, bem imaginem até à 4ª feira seguinte.

As sopas em geral continham pouco caldo, ou eram quase secas, eram postas sobre broa esfarelada de milho ou do escasso pão de trigo e abundantemente regadas com azeite cru no prato. Todos sabemos que Almeirim foi uma das poucas terras que felizmente teve como fundação gente oriunda de todos os lados de Portugal e ainda bem, até nisso nos Partidos Políticos vai-se vendo, há de tudo um pouco. A crise alimentar nos anos do século XXVII, com a denominada peste de tuberculose, levam muitos a procurar meios de subsistência e nesse caso a vinda para a Lezíria do Tejo trabalhar.

Sem dúvida que ao irmos para o Alentejo vamos encontrar muita coisa igual aos modos de vivencia daqui. Não poderemos ignorar que aqui a 30 Km, Coruche que faz a fronteira do Alentejo e por isso mesmo a preferência ainda de hoje do pessoal ir às Festas da Senhora do Castelo confirmo que parte de nós tem uma costela de Alentejano. Não podemos esquecer que a matança de Porco é originária do Baixo e Alto Alentejo, logo por isso aqui o mais que poderemos recordar é sem dúvida os hábitos que nos trouxeram, quem veio para cá em tempos até a minha santa Mãe. Poderemos reparar que tal costume existiu também no Norte, mas nunca tão apreciado visto optarem pela cabra ou pelo borrego. E por isso mesmo se agarrarmos numa lenda que não é nossa, mas hoje ao fazermos da Sopa de Pedra numa coisa considerada “Nossa” a história bem argumentada tem no seu historial no início, na Beira Baixa e Alto Alentejo. Frades por aqui? Vida de Igreja por aqui? Havia, mas quase recomendada! Havia de facto, como reza a história pessoas convictas do Cristianismo, mas não crentes, para mais, depois do terramoto que destruiu a Igreja do Espírito Santo, hoje antigas as Escolas Velhas, a população aqui em Almeirim e em demais lugares deixaram um pouco a famosa convicção de curvar perante os altares, mas trabalhar e ter em casa o seu Santinho Padroeiro que num sítio mais apropriado lá em casa era colocado no quarto ou noutra dependência e à noite convictamente as orações eram feitas. Não podemos criticar o que era de facto feito na altura e isto porquê? As migrações trouxeram muitos que divinamente de outros lugares, tinham como padroeiros os seus Santos de nascença das suas origens oriundas: vejamos, quem vinha do Norte, desde o São Gonçalo, Tiago, Almurtão, Eustáquio que publicamente foi apelidado de Esticado aqui bem perto, Alpiarça, Stª. Marta, João Baptista, e até para mim um que escolhi por ser o meu Santo proferido e de alguns estudantes o Santo Falhado de muitos e o Stº “Cábulas”. Logo muitos anos depois a criação de outra Igreja a que está atualmente em “Vigor”, não “confundir” com a marca de um leite que anda por aí, porque a outra tinha de predicados de muitos pecados e era utilizada de forma não católica por vezes!

Opinião, por Augusto Gil

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