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Festival Nacional de Gastronomia afirma Santarém como montra do país e da agricultura portuguesa

Por: Daniel Cepa 23 de outubro, 2026 8 minutos de leitura

A 45.ª edição do Festival Nacional de Gastronomia foi inaugurada esta quinta-feira, 22 de outubro, na Casa do Campino, em Santarém, com a presença do ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, e do presidente da Câmara Municipal de Santarém, João Leite.

O festival decorre até 1 de novembro e reúne, durante 11 dias, gastronomia, vinhos, doçaria, artesanato, música e representações de diferentes regiões do país.

Na abertura, João Leite destacou a importância que o evento tem assumido na divulgação de Santarém, do Ribatejo e da gastronomia portuguesa ao longo das últimas quatro décadas.

“São 45 anos de um festival que tem mostrado muito de Santarém ao país e que agora já chega também além-fronteiras”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Santarém.

Para o autarca, o evento constitui uma montra da gastronomia e da atividade económica que lhe está associada, desde a produção agrícola até à restauração e ao turismo.

“Quando falamos de gastronomia, falamos de alimentos. Os alimentos vêm da terra e, por isso, falamos também de agricultura. Os chefs, os cozinheiros e os restaurantes desempenham um papel multidisciplinar no turismo, na agricultura e na dinamização dos territórios”, sublinhou.

João Leite destacou igualmente o peso da restauração enquanto empregadora e geradora de atividade económica, considerando que o festival ajuda a afirmar Santarém como “capital do Ribatejo” e “capital nacional da gastronomia”.

“O Festival Nacional de Gastronomia é uma montra para o país e para o mundo. É uma forma de dizer que a gastronomia está aqui, em Santarém”, declarou.

Primeira distinção do Festival homenageia D. Chica

A inauguração da 45.ª edição ficou também marcada pela entrega da primeira «Distinção Festival Nacional de Gastronomia», criada para reconhecer personalidades que contribuíram para a história e para a identidade do certame.

A distinção foi atribuída a Francisca Garcia, conhecida por D. Chica, ligada ao restaurante O Lampião, de Évora, e presença habitual no Festival Nacional de Gastronomia há cerca de quatro décadas.

Ao longo dos anos, D. Chica levou a Santarém alguns dos pratos mais característicos da cozinha alentejana, entre os quais a sopa de cação, a açorda alentejana, os pezinhos de coentrada e o ensopado de borrego.

Em 2013, a Cabeça de Xara apresentada pela cozinheira conquistou o primeiro prémio do concurso de petiscos do festival. O seu percurso levou igualmente os sabores do Alentejo a vários eventos realizados dentro e fora de Portugal.

Durante a homenagem, João Teixeira Leite destacou a ligação pessoal e afetiva de D. Chica ao certame, considerando que a história do Festival Nacional de Gastronomia de Santarém «se confunde» com a própria homenageada.

O presidente da Câmara Municipal de Santarém recordou ainda que D. Chica lhe faz lembrar a avó, também chamada Chica e igualmente ligada à restauração, salientando a exigência de uma vida dedicada à cozinha.

«Há pessoas que passam por um festival e há pessoas que ficam para sempre na nossa memória», afirmou João Teixeira Leite no encerramento da homenagem.

“A agricultura e a gastronomia estão de mãos dadas”

José Manuel Fernandes salientou que a realização do festival demonstra a relação direta entre o setor agrícola e a gastronomia.

“Ninguém passa sem comer. A agricultura e a gastronomia estão de mãos dadas”, afirmou o ministro da Agricultura e Mar.

O governante considerou que a gastronomia é um elemento essencial para a atratividade turística dos territórios, permitindo valorizar os produtos, as tradições, as raças autóctones, as castas de vinho e os conhecimentos transmitidos entre gerações.

“Não podemos perder aquilo que são as nossas mais-valias, a identidade do território e as nossas raízes. Temos a biodiversidade, as raças autóctones, as sobremesas e os doces, que são diferentes de região para região”, referiu.

José Manuel Fernandes destacou ainda a diversidade gastronómica existente em Portugal, apesar da reduzida dimensão geográfica do país.

“Portugal tem uma enorme diversidade gastronómica concentrada no território. Somos também o país com mais castas de vinho e nem sempre existe essa perceção. Essa é a riqueza e a força da diferença”, afirmou.

Para o ministro, o Festival Nacional de Gastronomia evidencia também a “força e a pujança” da agricultura portuguesa e o trabalho desenvolvido por cozinheiros e produtores, muitos dos quais permanecem desconhecidos do grande público.

“A agricultura é a base que nos permite ter os produtos necessários para a gastronomia. Mas existe outro elemento fundamental: o saber-fazer e o conhecimento. Temos chefs e muitas pessoas anónimas que sabem valorizar os produtos e colocar sabores únicos à mesa”, acrescentou.

Projetos para reforçar competitividade de Santarém

José Manuel Fernandes elogiou ainda o trabalho desenvolvido pela Câmara Municipal de Santarém e referiu que existem projetos em curso que poderão reforçar a competitividade e a coesão territorial.

O ministro destacou a centralidade geográfica do concelho e a disponibilidade da autarquia para desenvolver iniciativas em parceria com o Governo.

João Leite revelou que alguns desses projetos serão apresentados publicamente no dia 11 de novembro, durante a Web Summit, destacando o Campus Tejo, que envolve os 11 municípios da Lezíria do Tejo.

Segundo o autarca, este parque de ciência e tecnologia pretende aproveitar o potencial agrícola da região e promover a inovação, o conhecimento e o desenvolvimento económico.

“Santarém está a desenvolver muitos projetos relevantes. No dia 11 de novembro, durante a Web Summit, vamos apresentar o Campus Tejo, entre outros projetos sobre os quais ainda não podemos falar”, adiantou.

Gestão da água considerada essencial para a agricultura

A gestão da água e o futuro da agricultura na Lezíria do Tejo estiveram também entre os temas abordados durante a inauguração.

José Manuel Fernandes destacou o programa nacional «A Água que Une», destinado a promover uma utilização mais eficiente e integrada dos recursos hídricos.

“O objetivo é não deixar que a água se perca e olhar para este recurso a partir de várias perspetivas: o consumo humano, a agricultura, a produção de energia, a proteção civil, a prevenção de cheias e a biodiversidade, promovendo também os caudais ecológicos”, explicou.

O ministro considera que uma gestão mais inteligente da água permitirá dar maior previsibilidade aos agricultores e criar condições para atrair novos investimentos.

Até 2030, está previsto um investimento próximo dos 5,4 mil milhões de euros. Segundo José Manuel Fernandes, encontram-se atualmente em execução cerca de 700 milhões de euros em obras relacionadas com a agricultura.

“O investimento previsto é absolutamente alcançável e é um investimento com retorno. Neste momento, temos cerca de 700 milhões de euros em obras em execução”, afirmou.

Para o governante, estas intervenções contribuirão para a coesão territorial, a competitividade da economia, a sustentabilidade ambiental e a proteção civil.

Lezíria quer aumentar produção agrícola

João Leite considerou que a Lezíria do Tejo ainda dispõe de potencial para aumentar a produção agrícola, beneficiando da fertilidade dos solos e da proximidade do rio Tejo.

“A Lezíria do Tejo tem um potencial muito maior, e é precisamente esse potencial que estamos a procurar desenvolver através do Campo Tejo”, afirmou.

O presidente da Câmara de Santarém defendeu a criação de políticas públicas que permitam reter e aproveitar a água disponível, garantindo o abastecimento para consumo humano e a utilização na agricultura.

“É necessário criar políticas públicas para reter a água, controlar aquilo que cai do céu e aproveitar aquilo que a natureza nos dá, devolvendo depois esse recurso ao cultivo e à produção”, sustentou.

João Leite garantiu que os municípios estão disponíveis para trabalhar com o Governo na concretização dos investimentos necessários e no aumento da capacidade produtiva da região.

“A soberania alimentar é crucial. Do lado dos municípios, estamos disponíveis para trabalhar ao lado do Governo e contribuir para que a Lezíria do Tejo possa aumentar a produção”, concluiu.

Convite para descobrir Santarém

Durante a inauguração, João Leite deixou ainda um convite à população para visitar o Festival Nacional de Gastronomia e aproveitar a passagem pela cidade para conhecer o património de Santarém.

“Venham provar Portugal enquanto descobrem Santarém. Visitem o nosso centro histórico, onde, num quilómetro quadrado, temos 16 monumentos classificados de interesse nacional”, afirmou.

O autarca destacou ainda o rio Tejo, as Portas do Sol, o Castelo do Mouchão de Pernes e o património existente na freguesia de Almoster.

“São 11 dias de festa, gastronomia, bons vinhos, bons doces e cultura. Venham com os amigos e com a família, venham desfrutar da gastronomia e venham desfrutar de Santarém”, apelou.

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