Opinião

Ambição local

Por: Inês Ribeiro 15 de Março, 2026 2 Minutos de Leitura

O atual executivo municipal prepara-se para dar um novo impulso ao investimento público no concelho. A proposta de alteração orçamental que integrará o saldo de gerência de 2025, aprovada por maioria pelo PS e CDU, abstenções do Chega e votos contra do PSD/CDS na última sessão da Assembleia Municipal, abre espaço para um conjunto de intervenções. Da reabilitação do edifício dos Paços do Concelho à reconversão do projeto inicial para o Mercado Municipal, da construção de ciclovias e parques infantis, nomeadamente em Azeitada, à melhoria dos espaços envolventes junto à Igreja de Foros de Benfica e às Escolas Velhas. Inclui ainda investimentos em zonas de lazer, como o previsto para Marianos, bem como a aquisição de imóveis que permitirão descentralizar os serviços municipais, como os quintais junto à Câmara Municipal e o edifício da antiga rodoviária. A construção dos parques urbanos, quer em Fazendas de Almeirim quer em Benfica do Ribatejo, continuam a ser centrais no investimento previsto, pelo impacto positivo que terão na qualidade de vida das populações locais. Mais do que anunciar novos projetos, este é também o momento de discutir que investimentos são verdadeiramente estruturantes para o desenvolvimento do concelho. Mais importante do que a quantidade é a capacidade de os concretizar com visão estratégica e dentro de prazos razoáveis. Ao longo dos últimos anos, foram sendo apresentados com entusiasmo, criando legítimas expetativas junto da população. É tempo de os concretizar. Porque quando já publicitados demoram a sair do papel ou avançam mais lentamente do que o esperado, instala-se inevitavelmente uma sensação de que poderão não passar de promessas vazias. A verdadeira ambição de um executivo não se mede pelo número de projetos num qualquer orçamento, mas pela capacidade de transformar intenções em obra feita, visível e útil para o cidadão. É essa concretização que acaba por definir a confiança dos munícipes e a credibilidade das políticas públicas locais.

Mais: a reconversão do projeto do Mercado é incontornável. A mistura da traça arquitetónica moderna com a original não convence, parecendo algo extraplanetário que por ali teria aterrado.

Menos: quando determinadas obras se arrastam ou ficam apenas nas publicações do Facebook, deixa-nos um sabor agridoce na boca. Olhos que não veem, coração que não sente.

Eduardo Oliveira – PS Almeirim

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