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Conferência em Santarém dá a conhecer história e desafios da língua mirandesa

Por: Daniel Cepa 07 de outubro, 2026 3 minutos de leitura

A história, a identidade e os desafios atuais da língua mirandesa vão estar em destaque numa conferência marcada para o próximo dia 17 de outubro, às 15h30, na Sala de Leitura Bernardo Santareno, em Santarém.

A iniciativa terá como orador Alfredo José Garcia Cameirão, comissário da Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa, e pretende dar a conhecer uma das expressões mais singulares do património linguístico e cultural português.

Falado tradicionalmente na Terra de Miranda, no nordeste transmontano, o mirandês representa uma herança cultural secular, ligada à história, às tradições e à identidade das comunidades daquele território.

O reconhecimento oficial dos direitos linguísticos da comunidade mirandesa, em 1999, constituiu um marco na valorização da língua e na proteção da diversidade linguística nacional.

Apesar do reconhecimento legal, a preservação e a transmissão do mirandês continuam a enfrentar vários desafios. O ensino da língua, a formação de professores, a produção de materiais pedagógicos e literários e a presença nos meios de comunicação e nas plataformas digitais estão entre os temas que deverão ser abordados durante a conferência.

A sessão pretende também promover uma reflexão sobre a importância de transmitir a língua mirandesa às novas gerações e de criar condições para garantir a sua continuidade.

Natural de São Pedro da Silva, na Terra de Miranda, Alfredo Cameirão é falante nativo de mirandês, professor e escritor, contando com um percurso ligado à defesa e divulgação da língua e da cultura mirandesas.

É licenciado em Ensino de Português e Inglês pela Universidade do Minho e mestre em Ensino de Espanhol e Português pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

Professor do quadro do Agrupamento de Escolas de Mogadouro, Alfredo Cameirão presidiu à direção da Associaçon de la Lhéngua i Cultura Mirandesa e esteve também ligado à Academia de Letras de Trás-os-Montes.

No campo literário, publicou, entre outras obras, Tortulhas. Desenvolveu igualmente trabalho de tradução para mirandês, incluindo a obra A Queda dum Anjo, de Camilo Castelo Branco.

Em 2026, foi designado pelo Governo comissário da Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa, assumindo responsabilidades na definição e concretização de iniciativas destinadas a reforçar a presença, o ensino e a transmissão da língua.

A conferência constitui um convite para o público conhecer a realidade atual do mirandês, a sua riqueza histórica e cultural e os projetos que procuram preservar uma língua que, apesar de profundamente ligada à Terra de Miranda, integra o património cultural português.

A iniciativa é organizada pela SRO, com o apoio dos municípios de Miranda e Santarém.

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