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Economia

Ecolezíria prepara investimento de 30 milhões de euros para modernizar aterro da Raposa

Por: Daniel Cepa 08 de outubro, 2026 7 minutos de leitura

A Ecolezíria prevê investir cerca de 30 milhões de euros na modernização do aterro sanitário da Raposa, com a construção de três pavilhões, a instalação de uma unidade de Tratamento Mecânico e Biológico (TMB) e a renovação dos meios destinados à recolha de resíduos.

O investimento foi anunciado por Joaquim Catalão, presidente da Câmara Municipal de Almeirim e vogal do Conselho de Administração da empresa intermunicipal Ecolezíria, que reconheceu que algumas das intervenções agora previstas deveriam ter sido realizadas há vários anos.

O projeto contempla a construção de dois pavilhões destinados à receção, triagem, acondicionamento e enfardamento dos materiais recicláveis. Um dos edifícios ficará reservado ao cartão, enquanto o segundo receberá plástico e vidro.

De acordo com Joaquim Catalão, estas infraestruturas permitirão proteger os materiais das condições meteorológicas e evitar que o cartão e o plástico permaneçam ao ar livre.

“O cartão, quando está molhado, desvaloriza muito. Queremos também, de alguma forma, rentabilizar os recicláveis e criar condições para obtermos o máximo de recursos financeiros desses materiais”, explicou.

O responsável acrescentou que o acondicionamento dos resíduos em espaços fechados permitirá melhorar a organização e a imagem do aterro, evitando situações como a dispersão de plásticos pelo vento ou a degradação do cartão devido à chuva.

“Deixará de haver aquilo que vemos atualmente quando vamos ao aterro, com o plástico a voar quando está vento e o cartão sujeito à chuva”, afirmou.

A maior componente do investimento será a construção de um terceiro pavilhão, de maiores dimensões, destinado à instalação de uma unidade de Tratamento Mecânico e Biológico.

A infraestrutura permitirá separar, tratar e valorizar os resíduos indiferenciados antes de o material sem aproveitamento seguir para aterro ou ser enviado para outro operador.

Segundo Joaquim Catalão, a Ecolezíria não dispõe atualmente deste sistema, apesar de o investimento ser necessário há vários anos. A ausência de uma unidade de tratamento fez com que grande parte dos resíduos recolhidos fosse depositada diretamente no aterro sanitário da Raposa.

“Nunca foi feito esse investimento, que teria sido fundamental para a gestão da célula do aterro”, reconheceu.

O objetivo apontado pela administração é que, após a entrada em funcionamento da TMB, apenas cerca de 10% dos resíduos tratados necessitem de ser depositados em aterro. Joaquim Catalão sublinhou que esta percentagem corresponde à estimativa que sustenta o projeto e não a um resultado ainda verificado.

“Queremos que, no futuro, os nossos resíduos sejam tratados. Mesmo quando forem enviados para outro operador, já seguirão tratados, sendo enviada apenas a fração que não pode ser aproveitada”, explicou.

A redução da quantidade de resíduos destinada a aterro deverá também diminuir os custos suportados pela Ecolezíria com o transporte, o tratamento por outros operadores e as taxas associadas à deposição.

A Ecolezíria recolhe atualmente cerca de 55 mil toneladas de resíduos por ano. Sem uma unidade de tratamento, uma parte significativa deste volume segue para deposição ou tem de ser encaminhada para outros operadores.

Joaquim Catalão comparou a diferença entre transportar e depositar 55 mil toneladas de resíduos sem tratamento e encaminhar apenas cerca de 5500 toneladas após a separação e valorização.

“Estamos a falar da diferença entre 55 mil e 5500 toneladas. É uma grande diferença”, salientou.

O vogal do Conselho de Administração da Ecolezíria considerou que este trabalho deveria ter começado há vários anos e admitiu que a falta de investimento contribuiu para a situação atual do aterro.

“Este trabalho que estamos agora a iniciar deveria ter sido feito há muitos anos. Nunca se investiu no aterro”, afirmou.

Os dois pavilhões destinados aos materiais recicláveis deverão ser construídos dentro da atual área operacional do aterro da Raposa, no local onde têm estado depositados resíduos ao ar livre.

Para a instalação da unidade de Tratamento Mecânico e Biológico, a Ecolezíria está a negociar a aquisição de um terreno contíguo ao aterro, mas já localizado no concelho de Salvaterra de Magos.

“Existe um terreno na parte de Salvaterra de Magos, mas ligado ao aterro, que estamos a negociar para adquirir. Será nesse local que ficará construída a TMB”, explicou Joaquim Catalão.

A empresa intermunicipal pretende apresentar uma candidatura a fundos comunitários até março. O valor total previsto para o investimento ronda os 30 milhões de euros, podendo uma parte significativa ser comparticipada.

Joaquim Catalão apontou como possibilidade uma taxa de financiamento próxima dos 85%, embora tenha ressalvado que essa percentagem ainda não está confirmada.

Apesar da futura instalação da unidade de tratamento, Joaquim Catalão admite que o aterro da Raposa poderá necessitar de uma intervenção para aumentar temporariamente a capacidade de deposição.

O responsável explicou que muitos aterros estão a aproximar-se do limite da vida útil e que a criação de novos espaços de deposição enfrenta fortes limitações. Por esse motivo, uma das soluções passa pelo aproveitamento ou ajustamento da capacidade das infraestruturas existentes.

No caso da Raposa, a intervenção projetada não deverá representar um aumento significativo da dimensão do aterro. Em abril de 2025, a Ecolezíria fez um pedido de alteração de licenciamento do Centro de Tratamento de Resíduos da Raposa ao Ministério do Ambiente.

A medida é considerada necessária porque os operadores externos não terão capacidade para receber a totalidade dos resíduos produzidos pela Ecolezíria, sobretudo enquanto estes continuarem a ser encaminhados sem tratamento prévio.

“Vamos ter de encontrar uma solução para que uma parte dos resíduos continue a ser colocada no nosso aterro”, afirmou Joaquim Catalão.

A empresa intermunicipal chegou à acordo com a RSTJ para encaminhamento de resíduos e está a ultimar um acordo com outro operador para reduzir a deposição no aterro da Raposa.

O investimento da Ecolezíria não se limita ao aterro da Raposa. A empresa está também a adquirir novas viaturas para a recolha de resíduos e a contratar mais trabalhadores para reforçar as equipas operacionais.

Segundo Joaquim Catalão, a frota existente apresenta problemas frequentes e as rotas têm sido realizadas com limitações devido às avarias e à falta de meios disponíveis.

A renovação da frota e o reforço das equipas deverão permitir aumentar a frequência da recolha e organizar as rotas de forma mais regular, evitando que a falta de viaturas obrigue a sucessivos ajustamentos de horários.

A administração pretende transformar a Ecolezíria numa empresa de referência no setor e encarar os resíduos como materiais com potencial económico e ambiental.

“Os resíduos não são simplesmente lixo. Se forem bem tratados, podem representar recursos que voltam a ser colocados no mercado e uma fonte de receita”, defendeu Joaquim Catalão.

Para o responsável, a valorização do cartão, do plástico, do vidro e de outras matérias permitirá melhorar a sustentabilidade financeira da empresa, reduzir a pressão sobre o aterro e promover a reutilização de recursos.

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