Nada de novo tenho aqui escrito sobre os nossos e bem piedosos Antigos que edificaram a nossa Cidade com algum trabalho e não só. A pouco e pouco e até gostava de ir mais longe com histórias da nossa gente…e assim se ía quinzenalmente alegrando e dando um sorriso bem gostoso como dizem os brasileiros e eu até sei mas até isso se foi acabando…mas falando de coisas bem antigas, para recordar?
E era assim …Depois do baile, uma luta para a famosa troca de recados e encontros. E no dia seguinte era aquela ansiosa expectativa para ver se o ansioso do olhar lá na missa ou mesmo na rua, acontecia. Marcava-se um encontro para ir a uma esquina, a uma loja qualquer sempre com a ajuda da melhor amiga. No início do namoro, quando muito andar de mãos a tocar levemente e depois já dadas, o que já era sinal de que havia alguma atracão. Ia-se ao Jardim e mesmo sentada no Verão ou na soleira da porta onde morava, a passagem ou andar para cima e para baixo, olhando pelo canto do olho, os mais velhos apercebiam-se e já por experiência lá comentavam…” anda aqui marosca ca gaiata”. Beijar a mão já seria considerado abuso. Claro que assim eram os princípios de namoro com as “moças de família”. O namoro tinha que pautar pelo respeito, e sempre com acompanhantes. É nesse tempo que a invenção do selim da bicicleta mais confortável e as saias com botões à frente começam a aparecer para o namoro à Quinta-feira… os botões? Ajudavam a colocar na” Telefonia” em ponto de rebuçado…tão?
Para um baile, sempre teria que ter a presença de alguém “mais velho” junto da moça. Sair a sós com o namorado, nem pensar. O único programa eventualmente tolerado sem companhia era no cinema, uma matinée, era óbvio…
Para mostrar que tinha “boas intenções”, o que seria condição “sine qua non” para o prosseguimento do namoro, seria conversar com os pais da moça, e começar a namorá-la em casa.
Então, era aquela aventura, apresentar-se ao pai da jovem e, mortificado, ter que responder a um questionário completo sobre condições de vida, e explicar que intenções tinham.
Devidamente aprovado pelo “Conselho Familiar”, então poderia começar o namoro, sempre em casa isto no conceito dos Pais, nada de andar a dar nas vistas e para não serem falados, isto por vezes era com já disse começado… em cima do selim da bicicleta na rua.
Comportadamente sentados em um sofá ou numa cadeira da altura, claro que cada um em uma ponta, e sempre a presença de algum ou alguns familiares pela sala, lá tinham que inventar conversas. Interessante que sempre alguém tinha algo para fazer naquela bendita sala quando se estava namorando. Algumas vezes arriscava-se um beijinho, pois ninguém é de ferro, mas tinha que ser meio rápido, para não ser surpreendido. Sexo? O que é isso? Somente após o casamento. Muitas meninas iam para a famosa “Lua-de-mel”, sem sequer saber para que serviam determinadas partes da anatomia de seu corpo… Do corpo masculino então, nem falar… normalmente arrastava-se por anos de namoro. Os rapazes tinham seus meios de desafogo, mas as moças, coitadas, tinham que se preservar para a noite de núpcias, quando então teriam desvendado todos os segredos. Se não estivesse virgem, já seria motivo para anulação do casamento.
Era outra época. Havia mais respeito em todos os sentidos, e não apenas do homem pela mulher. Mas que era um namoro complicado, lá isso era…. Era outra educação, outra maneira de pensar. Falar do namoro de hoje em dia, em que se “Fica” após 34 segundos de conversa, e vai-se para a cama após as duas primeiras horas de conhecimento… Falar-se do quê? Apenas de…
Quanta saudade dos tempos da brilhantina … do beijo na mão… do respeito… Saudosismo? Quanta saudade…. Outro lugar para se conhecer garotas era os denominados salões dos “balhos principalmente nos famosos Bailes da Pinha, Natal, Carnaval e tantos que foram feitos em garagens e Adegas, casas particulares e por vezes em casa só com um par a ouvir um Giani Morandi e acabar, pois, naquilo que sabemos. Pasmem hoje, os rapazes que não podiam ir de Bermudas, era exigível o considerado decente. Quem não souber o que é isto, pergunte a alguém de mais idade na família, que ele saberá explicar. Então, era aquela manobra. Durante as primeiras danças, os rapazes observavam as moças, e vice-versa. Olhavam-se, tentavam captar algum sinal de aceitação. Aí então, quando era notado algum piscar de olhos, ou algum sinal de assentimento com a cabeça, tirava-se aquela moça na próxima dança, sobre o olhar da bruxa da mãe, e ia-se para o lado oposto do recinto do balho, onde a cabeça da mãe parecia aqueles papagaios que andam de um lado para o outro como tontinhas para ver o que faziam.
Claro… não é para se ter saudade de um tempo onde havia basicamente boas maneiras e educação?
Crónica, por Augusto Gil












