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Opinião

Pequenos prematuros, grandes heróis!

Por: Inês Ribeiro 16 de Julho, 2026 2 Minutos de Leitura

São prematuros todos os bebés que nascem antes das 37 semanas de gestação. 

A verdadeira causa da prematuridade não é conhecida. Todavia, é consensual que idades maternas extremas (adolescentes e superiores a 35 anos), nutrição materna inadequada, dificuldade no controlo do peso materno, tabagismo, consumo de álcool, abuso de drogas, restrição do crescimento fetal e ondas de calor provocadas pelo aquecimento global são fatores de risco para um parto antecipado. A vigilância médica adequada da gravidez e da saúde materna desde a fase pré-concecional constituem os pilares mais eficazes para prevenir a prematuridade. 

Embora o bebé esteja totalmente formado às 24 semanas de gestação, ainda não possui autonomia para sobreviver com o exclusivo apoio da família. Incapaz de regular a sua temperatura corporal, tem de ser transferido de imediato para uma incubadora, que consiste num ambiente artificial que tenta simular o útero materno. A imaturidade pulmonar impede-o de respirar sozinho, pelo que precisa, frequentemente, de um apoio externo. A imaturidade neurológica e intestinal inviabiliza a sua alimentação precoce. A prevenção da desidratação e da desnutrição está dependente de soluções artificiais que são administradas através das suas minúsculas veias. A imaturidade imunológica torna-o mais suscetível a infeções graves, pelo que a sua sobrevivência depende de antibióticos muito potentes. O reduzido peso com que nascem (500 gramas, em situações extremas) contribui para prolongar estes internamentos por períodos muito longos. A avaliação permanente do seu estado de saúde exige a realização de análises frequentes, o que contribui para aumentar o risco de anemia. A fragilidade acrescida com que nascem obriga-os a encetar uma prolongada labuta pela sobrevivência onde oscilam retrocessos e avanços, desilusões e sucessos gloriosos. A família assiste impotente e passivamente a esta evolução, muitas vezes longe do lar, sob um profundo desgaste emocional, protelando o desejado regresso a casa. É por isso que estes bebés dependem de cuidados médicos altamente diferenciados, enquanto as suas famílias dependem de um adequado suporte emocional, financeiro e de recursos físicos que facilitem a permanência dos pais juntos dos seus bebés.

Os avanços científicos e tecnológicos têm vindo a permitir a sobrevivência de bebés cada vez mais pequenos e com idades gestacionais progressivamente mais baixas. Cientes de que “a saúde das crianças é o poder de uma Nação”, é indispensável investir na saúde materna, na vigilância médica da gravidez, na programação e monitorização adequada do parto, assim como na prestação de cuidados neonatais diferenciados e de qualidade, diminuindo as acentuadas discrepâncias mundiais existentes. A melhoria global destes cuidados reflete-se na diminuição da mortalidade infantil, pelo que esta taxa constitui um importante indicador do desenvolvimento de um país.

Segundo dados publicados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) nascem anualmente cerca de 15 milhões de prematuros. Cerca de 80% deles nascem em países subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Muitos deles poderiam ter sido evitados se as mães tivessem tido uma assistência médica adequada. Sem cuidados de saúde apropriados, os recém-nascidos muito prematuros (abaixo das 32 semanas) morrem nos primeiros dias de vida, vítimas de problemas respiratórios, infeções, hipotermia, desidratação e desnutrição. Em 2025, a OMS iniciou uma campanha intitulada “Healthy beginnings, hopeful future” (“Começos saudáveis, futuros promissores”). Pretende sensibilizar para a necessidade de melhorar os cuidados médicos prestados às mulheres e às crianças de todo o mundo, envidando esforços para prevenir os nascimentos antes do tempo e concentrando recursos na prestação de cuidados médicos de elevada qualidade a mães e bebés em todo o mundo. O contacto precoce da pele do bebé com a da mãe previne a hipotermia; o aleitamento materno precoce reforça a imunidade, suporta o crescimento e promove o desenvolvimento saudável; cuidados de assepsia previnem infeções; o suporte respiratório não invasivo permite apoio respiratório com menor risco de complicações. Centrando os cuidados na família, estas intervenções básicas têm impacto efetivo nos resultados e constituem intervenções complementares básicas que podem ser proporcionadas em quaisquer circunstâncias.

De acordo com dados divulgados pela Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), a prematuridade é de cerca de 11% a nível mundial, sendo de 8% em Portugal, com 1,2% a nascerem abaixo das 32 semanas de gestação. A qualidade dos cuidados prestados em Portugal durante a gravidez, o parto e o período neonatal classificam-no como um dos países mais seguros para nascer e crescer. Possui uma das taxas de mortalidade neonatal mais reduzidas do mundo (1,8/1000 nados vivos), colocando-o no 9º lugar de 162 países, o que constitui um motivo de grande orgulho nacional.

No dia 17 de novembro celebra-se o Dia Mundial da Prematuridade. Com esta efeméride pretende-se sensibilizar a comunidade para este problema de saúde pública. Os principais objetivos são incentivar ações que evitem a prematuridade, enquanto se enaltecem os feitos destes pequenos heróis e das suas famílias. A sua valentia é habitualmente representada pela cor roxa. Pessoas ilustres como Albert Einstein, Isaac Newton, Charles Darwin e Pablo Picasso nasceram prematuramente. Eles representam uma fonte de esperança para todas as famílias afetadas por este problema.

Opinião, por Teresa Gil Martins

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