Almeirim corre contra o tempo para preparar as linhas de água antes da chegada do inverno
As linhas de água que atravessam o concelho de Almeirim estão a ser alvo de um trabalho de limpeza, desobstrução e fiscalização ao longo dos últimos meses, numa operação que pretende reduzir o risco de inundações quando regressarem os períodos de chuva intensa. Depois dos problemas registados no último inverno, o Município de Almeirim identificou os principais pontos de constrangimento e está a intervir no terreno, mas deixa um alerta: a manutenção das linhas de água é, em primeiro lugar, responsabilidade dos proprietários dos terrenos por onde passam. O concelho de Almeirim é, particularmente, vulnerável a episódios de precipitação intensa devido à sua geografia predominantemente plana e à existência de poucas zonas de escoamento. É, neste contexto, que a limpeza das linhas de água ganha uma importância acrescida, uma vez que uma obstrução pode dificultar a passagem da água e provocar acumulações em terrenos agrícolas, habitações e infraestruturas. O que acontece quando a água não consegue escoar “O que aconteceu no último inverno intensificou problemas que nós já conhecíamos há muito tempo”, explica Filipe Torres, vice-presidente da Câmara Municipal de Almeirim, que aponta a existência de “muito poucas escapatórias para a água” num território tão plano. Por isso, defende, as principais linhas de água devem manter-se “desobstruídas, livres de impedimentos e sem vegetação, de maneira que a água consiga escoar”. Entre as principais linhas identificadas pelo município estão o Vale da Fonte da Moça, o Vale Virgo e o Vale Peixe. Estas três linhas desempenham um papel essencial na drenagem das zonas urbanas e rurais do concelho, atravessando várias zonas de Almeirim, Fazendas de Almeirim e Benfica do Ribatejo. No inverno passado, acabou por funcionar como um alerta para problemas que já eram conhecidos. Os episódios de precipitação intensa colocaram à prova a capacidade de escoamento existente e permitiram identificar vários pontos onde a água encontrou obstáculos à sua passagem. “Identificados estes problemas, nós fomos tentando perceber onde é que haviam os tais impedimentos e constrangimentos. Muitos deles apareceram agora, de forma exponencial, nestas tempestades que aconteceram e começámos a atacá-los um a um”, explica o vice-presidente, responsável pelo pelouro das Obras. O problema não está apenas relacionado com a quantidade de água que cai, mas também com a rapidez com que essa água chega ao território. Telmo Ferreira, coordenador municipal de Proteção Civil de Almeirim, explica que uma linha de água obstruída compromete precisamente a função para a qual existe: permitir o escoamento da água das zonas envolventes. “Cada vez que temos uma linha de água obstruída significa que tudo o que está para montante, ou seja, tudo o que está para trás, corre risco de inundar”, afirma. A situação torna-se ainda mais preocupante perante episódios de precipitação muito intensa num curto período de tempo. Segundo o responsável, as linhas de água foram sendo definidas numa altura em que os padrões de precipitação eram diferentes, com períodos de chuva mais prolongados, enquanto, atualmente, são cada vez mais frequentes episódios concentrados de grande intensidade. “Cada vez que nós temos uma linha de água obstruída, tapada com manilhas ou mesmo com vegetação, faz com que aquilo que é a real necessidade de drenagem dos terrenos na envolvência não aconteça”, explica Telmo Ferreira. O resultado pode ser uma inundação sem que exista, necessariamente, um transbordo de um rio. A água que cai com intensidade não consegue ser encaminhada pelos percursos naturais e acaba por permanecer nos terrenos ou procurar outros caminhos. Foi precisamente este tipo de situação que se verificou no último inverno em diferentes pontos do concelho. Telmo Ferreira identifica problemas nas freguesias de Benfica do Ribatejo, Fazendas de Almeirim e Almeirim, com particular incidência na zona dos Foros de Benfica, uma área caracterizada por ser muito plana e com pouca capacidade de drenagem. “As linhas de água que há anos ou há dezenas de anos não eram limpas acabaram por ter uma consequência precisamente naquilo que eu estou a dizer”, refere. Segundo o coordenador municipal de Proteção Civil, houve situações em que habitações ficaram inundadas na sequência da precipitação intensa, não por transbordo de rios, mas pela dificuldade em escoar rapidamente a água que caiu. Equipas percorrem as linhas de água no terreno O município tem procurado, por isso, aproveitar o verão para intervir antes da chegada de novos episódios de chuva. As equipas municipais e da Proteção Civil estão no terreno há vários meses, a acompanhar as linhas de água e a identificar os pontos onde existem obstruções ou outros problemas. O levantamento é feito com recurso à cartografia existente. “As linhas de água estão identificadas numa carta militar”, explica Telmo Ferreira, acrescentando que é a partir desse levantamento que o município acompanha os percursos e verifica as condições existentes no terreno. Filipe Torres confirma que uma equipa da Proteção Civil, em articulação com um funcionário da Divisão de Obras, tem percorrido as linhas de água “metro a metro”, procurando identificar os proprietários dos terrenos e perceber quem tem a responsabilidade pela limpeza e manutenção em cada zona. O trabalho não se limita à identificação dos problemas. Em vários casos, o município está também a intervir diretamente, sobretudo quando os proprietários não dispõem dos meios necessários para realizar os trabalhos. “Quando estes não têm possibilidade de ter um trator, uma máquina ou qualquer coisa que faça o desimpedimento e desobstrução, nós estamos a ajudar”, explica Filipe Torres. A intervenção passa pelo corte de canas e outras vegetações, abertura de linhas de água, retirada ou desobstrução de manilhas e limpeza de pontos onde a água deixou de conseguir circular. Responsabilidade é dos proprietários A ajuda municipal não pretende, contudo, substituir a responsabilidade dos proprietários. A mensagem transmitida pela autarquia é clara: a intervenção deste verão deve servir também para criar uma rotina de manutenção que permita evitar que os mesmos problemas voltem a surgir. “Não basta só esperar este ano pela ajuda da Câmara Municipal. É necessário que depois o proprietário não deixe crescer as espécies invasoras, as canas, os salgueiros, que não tape com terra ou com manilhas … Continue a ler Almeirim corre contra o tempo para preparar as linhas de água antes da chegada do inverno
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