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Cultura

Guitarra d’Alma cruza sons do Ribatejo, Tunísia e música filarmónica em Almeirim

Por: Daniel Cepa 05 de novembro, 2026 5 minutos de leitura

O Festival Guitarra d’Alma regressa ao concelho de Almeirim entre 6 e 14 de novembro, com uma programação que cruza a guitarra portuguesa com o alaúde árabe, o violino, a música filarmónica e o fandango.

Criado em 2013 pelo guitarrista e diretor artístico Custódio Castelo, o festival chega à 13.ª edição com concertos na Raposa, Benfica do Ribatejo, Fazendas de Almeirim e na cidade de Almeirim. A iniciativa mantém a guitarra portuguesa no centro da programação e aposta no diálogo com diferentes tradições musicais.

“É exatamente este experimentalismo que trazemos ao nosso festival, sempre com surpresas”, afirmou Custódio Castelo à agência Lusa, considerando a guitarra portuguesa a “primeira dama” do evento.

A abertura está marcada para sexta-feira, 6 de novembro, às 21h30, na Casa da Cultura da Raposa, com o Ensemble de Guitarras Portuguesas da Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco.

A formação é constituída maioritariamente por estudantes da licenciatura em guitarra portuguesa, refletindo a aposta do festival na promoção de jovens intérpretes.

Para Custódio Castelo, dar palco a estudantes e músicos em início de carreira é essencial para assegurar o futuro do instrumento.

“A inovação e a renovação são pura e simplesmente necessárias para a continuidade, e a guitarra portuguesa merece isso”, afirmou.

No sábado, 7 de novembro, às 21h30, Jorge Fernando sobe ao palco da Associação Cultural e Desportiva de Benfica do Ribatejo, acompanhado pela Banda Marcial de Almeirim. O concerto vai cruzar a guitarra portuguesa e o repertório do músico com a sonoridade filarmónica, numa apresentação considerada inédita na região pelo diretor artístico.

A programação prossegue no dia 13 de novembro. Às 10h00, o Cine Teatro de Almeirim recebe a comédia musical “A Princesa e a Ervilha”, numa sessão gratuita destinada exclusivamente à comunidade escolar. Na mesma noite, às 21h30, Miguel Lemos atua no Centro Cultural de Fazendas de Almeirim, acompanhado pela voz de Sofia Ferreira.

O encerramento realiza-se no dia 14 de novembro, às 21h30, no Espaço Multiusos de Almeirim, juntando Custódio Castelo, o Quarteto Virtuoso da Tunísia e a participação especial de Leonor Bolrão.

O concerto vai cruzar a guitarra portuguesa com o alaúde árabe e o violino, através da participação de músicos ligados à orquestra nacional tunisina e de uma violinista da Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música.

“Estamos a falar de um crescimento, de uma inovação, e já habituámos o público a esta surpresa, a ver sempre algo de novo em que a guitarra portuguesa se insere”, salientou Custódio Castelo.

A última noite integra também a feira gastronómica “Almeirim: Sons e Sabores com Alma”, com sopa da pedra e uma taça de vinho incluídas no bilhete do espetáculo.

Durante a degustação serão apresentados o fandango tradicional e o fandango varapau. Em vez do acordeão habitualmente associado a esta expressão ribatejana, os momentos serão acompanhados pela guitarra portuguesa.

O programa pretende ligar a música à gastronomia e às tradições de Almeirim, incluindo ainda as caralhotas e os vinhos da região.

A passagem pelas diferentes freguesias mantém a estratégia de descentralização adotada pelo festival desde as primeiras edições.

Segundo Custódio Castelo, a realização dos concertos nas freguesias permite que as populações, sobretudo as pessoas mais velhas ou com dificuldades de transporte, possam assistir aos espetáculos sem terem de se deslocar à cidade durante a noite.

“É uma forma também de respeitar as pessoas de cada freguesia”, sustentou o guitarrista.

O festival mantém igualmente uma componente de homenagem aos músicos e intérpretes que contribuíram para a evolução da guitarra portuguesa. Ao longo das anteriores edições foram distinguidos nomes como Luísa Amaro, João Braga, Joel Pina, António Parreira e António Chainho.

“Este festival tem esse princípio, que é a gratidão pelas pessoas que deram a sua vida em prol do crescimento e da evolução deste instrumento”, explicou o diretor artístico.

O Festival Guitarra d’Alma continuará a realizar-se em Almeirim, mas a organização pretende levar o formato de concerto “Guitarra d’Alma” a outras regiões portuguesas.

O projeto teve uma primeira experiência em setembro, em Castelo Branco, e deverá chegar a Lisboa, Porto e a territórios com menor acesso à programação cultural.

“O Guitarra d’Alma quer expandir-se ao país. Quer expandir-se às principais cidades, Lisboa e Porto, mas sempre com a preocupação de ir aos sítios onde as pessoas normalmente não vão”, afirmou Custódio Castelo.

Os bilhetes para a edição de Almeirim custam entre dois e 15 euros, consoante o espetáculo, enquanto o passe geral tem o preço de 22 euros. As entradas estão disponíveis na Tesouraria da Câmara Municipal de Almeirim e nas bilheteiras dos respetivos espaços, uma hora antes de cada espetáculo.

Com Lusa

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