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Opinião

Adultos à Mesa das Crianças

Por: Inês Ribeiro 01 de Abril, 2026 2 Minutos de Leitura

Notícias de telejornal: “o protecionismo de Trump, o caos no Irão e a dependência europeia.” Desvalorizamos o impacto a nível local, mas a verdade é que a macroeconomia mundial está connosco na mesa do café todos os dias.

Quando o barril de crude sobe no Médio Oriente, o gasóleo e os fertilizantes disparam e trazem o sufoco dos nossos produtores locais que veem, cêntimo a cêntimo, a produção de tomate e de melão cada vez mais asfixiada. O mundo tosse e o Ribatejo sente a febre.

Mas há desafios ainda maiores, como é o caso da imigração. A realidade é que a agricultura local já não sobrevive sem mão de obra imigrante. Colmatar a falta de braços quando as colheitas assim o exigem choca com a falta habitação digna, aumentando os cenários de sobrelotação e precariedade.

Os números no concelho falam por si: a habitação a encarecer 24% num ano (ultrapassando os 1.600€/m2) obriga os jovens a serem empurrados para fora. Há iniciativas locais que procuram (esforçadamente) diminuir o impacto local das crises nacionais: a criação de 168 fogos a custos controlados e a requalificação do Centro de Saúde com um investimento de mais de 4.0 milhões, chegando até mesmo ao limite de ceder apartamentos municipais para fixar médicos são respostas possíveis para problemas impossíveis.

Almeirim continua de pé por ser um grande produtor de alimento e um “hub” logístico de relevância nacional, mas tudo aponta para que cada um de nós sinta cada vez o peso das decisões dos “adultos à mesa”, quer seja nas rendas, nas compras do mês, a encher o depósito ou no prato de sopa.

Mais: O aumento dos postos de trabalho e oportunidades.

Menos: O descontrolo dos preços da habitação.

Guilherme Valente – PS Almeirim

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