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Opinião

Quando foi que deixámos de reparar?

Por: Inês Ribeiro 01 de fevereiro, 2026 2 minutos de leitura

Corremos tanto que já não sabemos porquê. Acordamos com alarmes, adormecemos com preocupações e atravessamos os dias como quem atravessa ruas movimentadas, sempre a olhar em frente, quase nunca para os lados. O tempo passa, mas nós passamos por ele sem o tocar verdadeiramente.

Esquecemo-nos de reparar nos pequenos milagres que ainda acontecem todos os dias. No bom-dia sincero de alguém que não nos deve nada. No café quente que conforta mais do que a bebida em si. No silêncio que também fala, quando sabemos escutá-lo. Vivemos à espera de grandes momentos e ignoramos que a vida é feita, sobretudo, de instantes simples e discretos.

Aprendemos a medir o valor pelo que se mostra, pelo que se possui, pelo que se publica. Mas raramente paramos para medir o que sentimos. Quantas vezes sorrimos sem vontade? Quantas vezes ouvimos sem escutar? Quantas vezes adiámos um abraço, um perdão, uma palavra boa, como se o amanhã fosse garantido?

A verdade é que não sabemos quanto tempo temos. Sabemos apenas que o agora existe. E talvez seja nele que tudo começa, na escolha de sermos mais humanos, mais atentos, mais presentes. Na coragem de abrandar, mesmo quando o mundo insiste em acelerar.

Que não nos falte tempo para o essencial. Que não nos falte sensibilidade para perceber que viver não é correr, é sentir. E que, no meio de tanta pressa, ainda consigamos parar… e reparar.

SANDRA FÉ FERNANDES

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