As coisas mais essenciais que gostei de aprender, foi tudo na Escola, mas a partir dos 9 anos acerca da vida do sexo feminino que sempre me meteu confusão, por culpa das escondidelas das cachopas, da minha mãe e de ter visto uma ou duas vezes vizinhas da minha idade nuas e o porquê de serem diferentes em tudo. Por isso digo que no meu tempo e perguntando aos de agora, as diferenças de Educação de quem nasce hoje, já é Doutor. Hoje mesmo e já agora, se por acaso já se estiverem a rir de mim ao lerem isto, era normal no antigamente ou não? Sabiamos lá! Era tudo escondido, como por exemplo a informação sobre o período menstrual, nunca me foi divulgado. Só tive conhecimento que ele (o período menstrual) existia, depois de ver uma aluna que já deveria ter aí uns 15 anos lá na Escola toda descomposta como se dizia na altura e que se tinha cortado num vidro (?). A curiosidade deu-me e a todos os presentes direito a umas reguadas e puxões de orelhas, sabíamos lá o que era aquilo!
No verão no Jardim da Republica à noite o barulho das rãs vinda da Vala era de tal maneira que chegávamos a ouvi-las isto porque havia sossego. Independente da algazarra que faziamos quando brincávamos ao A, E, I, O, U… (Hoje nas festas do Pão e Vinho e Companhia, o barulho é tão violento, que há garrafas de vinho que rebentam de tal maneira que tem que as vender aos miudos de 13 e 14 anos para não terem prejuízo). Quem é mais burro és tu, ou Ita tá… tá… ita tá… tá não está e quem está, livre, livre está; muitas destas sequências utilizadas para jogar ao Toqui e Foje ou às Escondidas, mas depois se alguém fazia batota lá vinha o… “eu seja ceguinho, ceguinho se não foi assim”, “caia-me um braço se não é verdade”. Também com os mais velhos aprendiamos algo que se lá na Escola existia um Magalhães dizíamos no gozo, … Magalhães esfola gatos e mata cães ou um Luis Calhariz tira a caca do nariz, ou mesmo Chico larico pariu um burrico, Teresa da barriga tesa, Ó José põe um ovo em pé, Carlito Carlotes arrebola caixotes, tantas que por vezes lá tínhamos que encostar as barrigas por alguns não gostarem. As botas cardadas com pregos ou taxas eram colocadas no Inverno para que estas se aguentassem mais tempo, mas nada disso acontecia porque utilizávamos as mesmas para as derrapagens claro isto quem as tinha. Ainda mais recordações da Escola, … Joaninha aboa …aboa, que o teu pai foi para Lisboa ou quando apanhávamos alguma Louva a Deus…, levanta as mãos para Deus, ou mesmo Caracol… Caracol, põe os cornichos ao Sol.
Quando na missa das Dez aos Domingos os mais velhos faziam gozo com estas mais atrevidas, Dóminus Óbisco que o teu pai é Francisco, ou Ave Maria que tenho azia, ou a coisa fria. Outras bem conhecidas – Que horas são? Faltam dez réis para o meio tostão ou… e depois? Morreram as vacas ficaram os Bois, ou então esta do tempo da 1ª guerra, quando mija um português mijam logo, 2 ou 3 ou esta aplicada quando nos davam algo ou tiravam, ”Quem dá e torna a tirar, pró Inferno vai parar. Ou daquelas expressões quando víamos alguém que não víamos há muito tempo: – Onde tem andado que tão belo corpo tem criado, ou estás bom? Estás rijo e valente pra dar ao dente? Ou então, Mau Maria que o gato já mia. Por isso mesmo, e como o leitor tem um bocado de razão, o antigamente nestas situações leva-me a contar algumas que já são esquecidas.
O bater do ferro das ferraduras, ou mesmo o cheiro a queimado dos cascos na rua quando colocavam as ditas, era uma constante. O relógio da Escola, a Sirene do Almeida, o tocar o sino como o Sr. Fernando Sacristão fazia. A labuta e a riqueza que a nossa praça de fartura. As carroças, já extintas, onde um cãozito rafeiro atado por baixo da mesma, servia de buzina, o chão emporcalhado, das bestas, onde muitas mulheres aproveitavam os ditos” munícios “para adubar as flores e já agora recordar que nos anos 30 havia as “Incendiárias”, alguns vão saber o que isso hoje é de famoso e o que era. Os famosos Múnico de burro ou Bonicos como se chamavam eram secos ao sol e mais tarde faziam de acendalhas para acender as fogueiras ou mesmo os fogareiros a carvão. Mais tarde surgiu os saudosos bonicos através de um cavalo que se fixava no Largo das Laranjeiras da GNR, que o fazia de borla, claro, na conta da água, pagávamos estes extras, que eram saudáveis. Bem com isto tudo já está tudo tão mudado que até tenho saudade de ver um casal de cães…pegados no meio da rua. Até estes desgraçados animais, já se inverteram (Modernices).
Crónica, por Augusto Gil












