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Opinião

Cuidado com a desinformação

Por: Inês Ribeiro 16 de outubro, 2026 4 minutos de leitura

A desinformação consiste na disseminação intencional e deliberada de informações falsas, imprecisas ou fora do contexto, com o objetivo de enganar a opinião pública ou causar danos políticos, sociais e económicos. A criação maliciosa destas notícias destina-se a manipular crenças ou influenciar comportamentos, com o intuito de gerar ganhos financeiros ou desestabilizar instituições. A partilha digital perpetua estas informações. Notícias falsas (fake news) concebidas sem essa intenção não se incluem no grupo da desinformação. 

Na área da saúde, a desinformação tem afetado temas como a vacinação, a nutrição, a saúde mental, os cuidados baseados na evidência científica e a confiança nas instituições de saúde. Os lucros revertem para a indústria farmacêutica, a indústria alimentar, algumas terapêuticas alternativas de credibilidade duvidosa e para os criadores de conteúdos digitais. As consequências incluem um acréscimo de riscos para a saúde pública e individual. As crianças constituem um grupo particularmente vulnerável.

As vacinas constituem a arma mais poderosa de prevenir doenças graves. Uma boa cobertura vacinal é essencial para evitar a propagação da doença. Entidades internacionais idóneas e isentas supervisionam as indicações e segurança das vacinas comercializadas. A partilha de uma contestação vacinal pouco fundamentada fomenta a hesitação vacinal. A diminuição do número total de pessoas vacinadas na comunidade aumenta o risco de surtos evitáveis de doença.

Uma alimentação saudável e diversificada é indispensável em todas as idades. Para além disso, otimiza o crescimento e o desenvolvimento da criança. Os rótulos devem conter a informação nutricional detalhada de cada produto; servem para orientar a escolha do consumidor. Novas “modas” alimentares podem ser pouco equilibradas. Slogans nutricionais apelativos e simplistas, como “alimento saudável”, são insuficientes e enganadores. Muitas vezes encobrem o enriquecimento ilícito de uma indústria alimentar pouco salutar.

Retórica divisória afeta a saúde mental e corrói a confiança nas instituições de saúde que prestam cuidados baseados na evidência científica. Estrategicamente, algumas alternativas terapêuticas pouco fundamentadas aproveitam-se de cada oportunidade e vão proliferando, explorando a ignorância, e arrecadando lucros avultados e pouco éticos. Interpretações enganosas ou incorretas das evidências disponíveis podem atrasar diagnósticos e terapêuticas, colocando em risco a própria vida dos pacientes.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 70% da população está exposta à internet, onde ocorre a maioria destas divulgações. Combater a desinformação torna-se crucial para garantir decisões de saúde seguras e baseadas na evidência. As principais estratégias consistem em procurar fontes fidedignas antes de mudar condutas e evitar partilhar notícias pouco confiáveis.

Para identificar a credibilidade das publicações, o Centro de Internet Segura recomenda a leitura completa de cada notícia, a confirmação da respetiva fonte, autoria e data, assim como a pesquisa paralela de outras fontes e factos citados. Para além disso aconselha uma precaução muito especial com notícias antigas e, acima de tudo, que se evite a partilha de notícias pouco fidedignas, evitando a propagação de informações maliciosas.

Na prática de medicinas alternativas, o Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a aferição prévia de princípios que garantam a segurança e a efetividade de quem os pratica. Com esse intuito, a OMS recomenda que se fale com o médico antes de tomar qualquer produto, que se confirme a fonte de informação e respetiva bibliografia, que se verifique a lista específica de vantagens e desvantagens, que se desconfie de promessas exageradas e que não se atrase a consulta do médico. 

A “qualidade” dos criadores de conteúdos digitais é avaliada pelo número de seguidores e não pela respetiva credibilidade científica. Sem qualquer formação específica, detêm convicções e negócios chorudos, modulam comportamentos e não são responsabilizados pelos danos infligidos.

“A saúde das crianças é o poder da nação”, mas está totalmente dependente da capacidade crítica de quem delas cuida. 

Opinião, por Teresa Gil Martins

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