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Número de burlas por falso acidente dispara, alerta PSP

Por: Inês Ribeiro 10 de Março, 2026 2 Minutos de Leitura

A Polícia de Segurança Pública (PSP) alertou na manhã desta terça-feira, dia 10 de março, para o aumento do crime de burla por falso acidente, um esquema que tem como principais vítimas pessoas idosas e que, nos últimos anos, tem registado um crescimento significativo no número de denúncias.

De acordo com dados divulgados pela PSP, entre 1 de janeiro de 2021 e 31 de dezembro de 2025 foram registadas 853 denúncias relacionadas com este tipo de burla. Os números indicam um aumento progressivo das ocorrências, com especial destaque para 2025, ano em que se verificou o crescimento mais acentuado.

Segundo a análise das autoridades, o número de denúncias aumentou 27% em 2022 face ao ano anterior, 18% em 2023, 47% em 2024 e 78% em 2025, valores que significam que, no último ano analisado, o número de casos superou em mais de três vezes o número de denúncias registadas em 2021.

Em comunicado ao Jornal O Almeirinense, a PSP revela que a maioria das vítimas tem idade avançada. Cerca de 40% têm entre 70 e 79 anos, enquanto 39% têm mais de 80 anos. Já as pessoas com menos de 40 anos representam apenas 4% dos casos. Quanto ao género, 65% das vítimas são homens e 35% mulheres.

A chamada burla por falso acidente ocorre, na maioria das vezes, de forma presencial. O suspeito aborda a vítima após uma manobra com a viatura, frequentemente em parques de estacionamento de superfícies comerciais, alegando que o veículo sofreu um embate.

Depois de criar a situação de conflito, o burlão pede uma compensação financeira imediata, recorrendo frequentemente a pressão psicológica, manipulação ou intimidação, tentando evitar a participação do acidente às autoridades ou o acionamento do seguro.

Em alguns casos, os suspeitos afirmam ter sido atropelados ou alegam danos em objetos pessoais, como óculos ou telemóveis, exigindo o pagamento no momento. Para tornar o esquema mais credível, podem simular chamadas telefónicas para oficinas ou apresentar terminais de pagamento automático (TPA) para que a vítima efetue o pagamento imediato.

De acordo com a PSP, este tipo de crime ocorre sobretudo entre as 10h00 e as 16h00, ao longo de toda a semana. Os parques de estacionamento e vias com pouco movimento e sem videovigilância são os locais preferenciais para a prática deste esquema.

Face a este fenómeno, a PSP reforça a importância da prevenção e da sensibilização da população e aconselha os cidadãos a não efetuarem pagamentos imediatos em situações de alegados acidentes.

A polícia recomenda ainda que, em caso de suspeita, seja contactada de imediato a PSP e que os cidadãos não entreguem dinheiro, cartões bancários ou efetuem pagamentos em TPA apresentados por desconhecidos.

Sempre que possível, a PSP aconselha também a recolher informações sobre o suspeito e a viatura utilizada, como características físicas, matrícula ou modelo do veículo.

As autoridades apelam ainda à denúncia de todas as situações suspeitas, sublinhando que uma comunicação rápida pode ajudar a identificar os autores e prevenir novos crimes.

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