Terça-feira, agosto 25, 2026 15:44
Entrevista

“O festival é um lembrete para os portugueses de que Almeirim é a terra da Sopa da Pedra”  

Por: Inês Ribeiro 25 de agosto, 2026 2 minutos de leitura

Na véspera do arranque da 12.ª edição do Festival da Sopa da Pedra, O ALMEIRINENSE conversou com Luís Manso, Grão-Confrade da Confraria Gastronómica de Almeirim, sobre as novidades do certame, o impacto do festival na economia local, a promoção da Sopa da Pedra dentro e fora de Portugal e os desafios de organizar um dos maiores eventos gastronómicos do Ribatejo.


O Festival da Sopa da Pedra está de regresso. O que é que podemos esperar desta edição e quais são as principais novidades?

Esta edição será semelhante aos anos anteriores. Vamos ter showcookings com confrarias, os Mini Chefes em ação com os miúdos, os bares, as tasquinhas e o palco principal com os artistas que vêm atuar este ano.

A principal alteração que vamos tentar implementar é a mudança do espaço dos showcookings para o centro do recinto. Até agora, estava localizado junto à entrada, um pouco afastado. No ano passado, existia, naquele espaço, um pequeno palco onde atuavam algumas bandas locais junto às tasquinhas e, este ano, pretendemos utilizá-lo para instalar o showcooking.

Isso significa que, este ano, deixam de existir atuações de artistas locais nesse espaço?

Sim. A experiência foi boa e correu bem, mas a intenção da Confraria era dar palco a novos artistas, pessoas que estivessem a iniciar-se e quisessem mostrar o seu trabalho.

No ano passado, tivemos dificuldade em encontrar esses novos talentos no concelho e, por isso, este ano, decidimos fazer uma pausa nessa iniciativa para refletirmos melhor sobre o formato no futuro.

Chegámos a contactar elementos da Banda Marcial e dos ranchos para perceber se existiam pessoas interessadas, mas não foi possível concretizar. Também não queremos transformar esse espaço numa extensão da programação das Festas da Cidade. O objetivo continua a ser apresentar artistas novos, mas já com algum trabalho e repertório preparado.

Como é que o festival tem conseguido afirmar esta tradição e, ao mesmo tempo, atrair novas gerações e novos visitantes?

O que procuramos fazer é garantir cinco dias de animação musical e evitar repetir o mesmo estilo de música todos os dias. Se repararmos no cartaz desta edição, existem géneros musicais diferentes ao longo dos cinco dias, precisamente para tentar abranger públicos de diferentes idades.

É por aí que continuamos a trabalhar, procurando trazer artistas que atraiam vários públicos ao festival.

Qual é o impacto que este festival tem na restauração, no comércio e na economia local durante estes cinco dias?

O principal impacto está relacionado com a promoção da Sopa da Pedra. A Sopa da Pedra é hoje um prato conhecido a nível nacional e até internacional. Já não precisa de grandes apresentações. Mas também é verdade que existem, hoje, muitas outras ofertas gastronómicas e eventos pelo país que competem pela atenção das pessoas.

O festival funciona como um lembrete para os portugueses de que Almeirim é a terra da Sopa da Pedra e de que vale a pena visitar o concelho. Esse é um contributo importante para a economia local, não apenas durante os dias do festival, mas ao longo de todo o ano.

Muitas pessoas chegam a Almeirim durante o dia e, como o recinto só abre ao final da tarde, acabam por almoçar, lanchar ou fazer compras no comércio local antes de entrarem no festival.

Já pensaram em alargar o festival ao período do almoço para aproveitar esses visitantes?

Essa questão já nos foi colocada várias vezes. O principal motivo para não o fazermos prende-se com as condições climatéricas. No final de agosto, as temperaturas ao almoço são muito elevadas e não é fácil manter as pessoas sentadas ao ar livre durante várias horas. Além disso, também é mais exigente para quem está a trabalhar no recinto.

Naturalmente, é uma possibilidade que pode vir a ser analisada no futuro, mas, para já, entendemos que o modelo atual funciona bem.

Sentem que o Festival da Sopa da Pedra já ultrapassou fronteiras?

Sem dúvida. Este ano, estivemos no Luxemburgo, nas comemorações do Dia de Portugal, a promover a Sopa da Pedra Solidária. Tivemos contacto com a comunidade portuguesa e muitas pessoas falaram-nos do Festival da Sopa da Pedra e da intenção de visitarem Almeirim. Também já recebemos visitantes vindos de Espanha. Nos últimos anos temos tido grupos espanhóis que passam pelo festival e ficam instalados em autocaravanas nas proximidades.

É um trabalho que temos vindo a desenvolver há muitos anos. Temos percorrido o país para promover a Sopa da Pedra e agora estamos também a apostar no estrangeiro, sobretudo junto das comunidades portuguesas.

A presença da Confraria em Bruxelas e no Luxemburgo tem ajudado muito a divulgar a sopa e o nome de Almeirim. Na primeira vez que estivemos no Comité das Regiões, muitas pessoas nem sabiam o que era a Sopa da Pedra. Depois de a provarem, regressaram para elogiar o prato e a experiência. É assim que se começa a abrir caminho.

Organizar um evento desta dimensão exige muito trabalho. Quais são os maiores desafios para a organização?

Nesta fase, os maiores desafios são a logística, a montagem do recinto, os fornecedores e o cumprimento dos prazos. Mas, acima de tudo, aquilo que mais nos preocupa é a segurança das pessoas. Queremos que, quem venha a Almeirim, tenha uma boa experiência e consiga desfrutar do festival com conforto e tranquilidade.

Por isso, há um grande cuidado na organização dos espaços, na circulação das pessoas e na distribuição das estruturas pelo recinto. Não queremos criar obstáculos nem dificultar a mobilidade dos visitantes.

Em termos de expositores e participação empresarial, como está esta edição?

Muito bem. Este ano, os espaços para expositores tiveram uma adesão muito rápida. Praticamente todos ficaram ocupados bastante mais cedo do que aconteceu em anos anteriores. Isso demonstra que as empresas da região reconhecem o potencial do festival como montra para os seus produtos e serviços.

Qual é o município convidado desta edição? O que podem os visitantes esperar dessa participação?

Este ano, o município convidado é Ferreira do Alentejo. Vai estar presente no dia 29 de agosto para mostrar um pouco da sua identidade, através do artesanato, da gastronomia, da música e de outras manifestações culturais. Será mais um elemento diferenciador dentro do festival.

E quanto aos apoios? É hoje mais difícil organizar um festival desta dimensão?

Sem dúvida. Os apoios continuam a existir e somos muito gratos a todos os patrocinadores e parceiros, mas tudo está mais caro. Hoje conseguimos fazer menos com os mesmos apoios que recebemos. Isso obriga-nos a fazer um controlo muito rigoroso dos custos para garantir que o festival continua sustentável.

Qual é, aproximadamente, o custo de um festival desta dimensão?

É sempre difícil avançar com um valor exato porque existem muitos serviços prestados pelo Município que não entram diretamente nas contas da Confraria. Mas, considerando palco, comunicação, logística e restantes estruturas, um festival desta dimensão ultrapassa sempre os 50 mil euros.

Que convite deixa a quem nunca visitou o Festival da Sopa da Pedra?

Venham a Almeirim, terra da Sopa da Pedra, do Melão de Almeirim, das Caralhotas, dos enchidos tradicionais e dos vinhos da casta Fernão Pires. Encontrarão uma excelente experiência gastronómica e um programa musical diversificado para toda a família. Esperamos por todos no Festival da Sopa da Pedra.

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