As cheias das últimas semanas deixaram um rasto de destruição nos campos agrícolas do concelho de Almeirim, afetando dezenas de produtores vitivinícolas. Entre vinhas submersas, sistemas de rega destruídos e toneladas de lixo acumulado, os agricultores enfrentam agora uma fase crítica, limpar rapidamente os terrenos para evitar danos ainda maiores na produção deste ano.
No terreno, multiplicam-se os relatos de prejuízos, ainda difíceis de quantificar. Muitos produtores admitem que só nas próximas semanas será possível ter uma noção mais precisa da extensão dos estragos. Em várias parcelas, a água arrastou vinhas inteiras, danificou arames e postes de suporte e deixou um cenário marcado por resíduos orgânicos e plásticos.
Agostinho Silva, produtor com vinhas na região, explica que, apesar de não ter sofrido grandes perdas materiais, enfrenta agora um enorme volume de trabalho. “Felizmente não tenho assim grande coisa partida. Tenho é muito lixo para tirar. O problema agora é limpar rapidamente, porque dentro de 15 dias as vinhas começam a rebentar e, se o lixo lá ficar, parte tudo”, afirma, sublinhando a escassez de mão de obra como uma das maiores dificuldades.
Situação semelhante é descrita por António Ferreira, também produtor de vinhas, que considera os impactos “frustrantes” e alerta para a dimensão do esforço necessário. “Os prejuízos vão ser grandes, sobretudo na limpeza”, refere.
De acordo com Fábio Santos, engenheiro responsável pela produção da Adega Cooperativa de Almeirim, o levantamento dos danos ainda está em curso, uma vez que existem parcelas inacessíveis. “Temos vinhas que literalmente desapareceram, sistemas de rega danificados ou destruídos e uma enorme quantidade de resíduos. Só na próxima semana teremos uma estimativa mais concreta da área afetada e do montante dos prejuízos, que será certamente elevado, na ordem de alguns milhares de euros”, adianta.
A cooperativa está a contactar os associados para recolher informações detalhadas e documentar os estragos com fotografias, a fim de comunicar a situação às entidades competentes.
Apesar dos danos, alguns produtores reconhecem que as cheias podem trazer benefícios a médio prazo, nomeadamente através da deposição de matéria orgânica nos solos e da recarga dos aquíferos. Manuel Gabirra, produtor e presidente da Adega Cooperativa de Almeirim, destaca que “a cheia é um fertilizante natural para os terrenos”, embora alerte para os graves prejuízos em parcelas mais afetadas.
Um dos problemas apontados pelos produtores é o destino dos resíduos recolhidos durante a limpeza das vinhas. Plásticos, fitas de rega e outros detritos acumulam-se sem que exista, para já, uma solução clara para o seu encaminhamento, o que leva os produtores a pedirem uma resposta rápida às autoridades locais.
O trabalho nos campos está a ser intenso. A prioridade, para já, passa por remover o lixo, podar as vinhas, reparar as infraestruturas danificadas e garantir que as culturas conseguem iniciar o seu ciclo vegetativo em condições adequadas. Uma verdadeira corrida contra o tempo para minimizar os impactos das cheias e proteger a próxima vindima.












