O capitão-de-fragata Manuel Ferreira Pinhão, antigo militar da Marinha Portuguesa e com fortes ligações ao concelho de Almeirim, em particular à freguesia da Raposa, morreu, no dia 21 de setembro, aos 86 anos.
A informação foi comunicada a O ALMEIRINENSE pela filha, Adriana Pinhão, que recordou o percurso militar, profissional e pessoal do pai, bem como a relação que manteve ao longo da vida com a Raposa.
Manuel Ferreira Pinhão licenciou-se em Administração Naval na Escola Naval e ingressou na Marinha Portuguesa, onde participou em várias missões, incluindo nas antigas colónias portuguesas, tendo alcançado o posto de capitão-de-fragata.
Depois do 25 de Abril de 1974, desempenhou funções de coordenação e direção no Ministério da Agricultura e Pescas e no Aquário Vasco da Gama.
Já depois da passagem à reforma, concluiu um curso de Conservação e Restauro, dedicando-se ao restauro de mobiliário e de peças de arte sacra, sobretudo para amigos.
Apesar de ter vivido sempre em Lisboa, Manuel Ferreira Pinhão manteve uma relação próxima com a Raposa, localidade onde os avós possuíam uma quinta e onde aprendeu a trabalhar a terra, a cuidar dos animais e a cultivar os próprios alimentos.
“Tinha uma relação umbilical com a Raposa”, contou a filha a O ALMEIRINENSE, acrescentando que o antigo militar se considerava “um homem do campo”.
A ligação familiar à localidade passava também pelo avô, António Pinhão, que combateu na Primeira Guerra Mundial e foi feito prisioneiro na Batalha de La Lys, travada, em abril de 1918, na Flandres.
António Pinhão acabaria por regressar à Raposa, debilitado pela experiência da guerra, contrariando as expectativas daqueles que o julgavam perdido, e viria a morrer na localidade.
Manuel Ferreira Pinhão manteve a casa dos avós na família e deslocava-se à Raposa todas as semanas, preservando uma relação próxima com a população.
“Filho de professores, culto e defensor acérrimo da Pátria, foi fiel às suas origens e aos seus princípios. Acreditava que sabermos de onde vimos é meio caminho andado para sabermos quem somos”, recordou Adriana Pinhão.
Manuel Ferreira Pinhão deixa a mulher, Maria Emília, com quem esteve casado durante quase 60 anos, quatro filhos e três netos.
As cerimónias fúnebres realizaram-se, no dia 25 de setembro, na Igreja de São João de Deus, em Lisboa, seguindo-se o funeral para o Cemitério dos Olivais.











