O presidente da Direção do Centro de Reabilitação e Integração de Almeirim, José Carlos da Silva, negou que a instituição tenha recusado um donativo anunciado por Catarina Salgueiro por este estar relacionado com a atividade política da deputada e vereadora eleita pelo Chega.
Em declarações a O ALMEIRINENSE, José Carlos da Silva garantiu que o CRIAL nunca comunicou que não aceitaria o donativo e sublinhou que a instituição recebe apoios independentemente da respetiva origem partidária, ideológica ou religiosa.
“Nunca, em circunstância alguma, dissemos que não queríamos aceitar [o donativo] de um partido político. Todas as ajudas são bem-vindas”, assegurou.
José Carlos da Silva afirma que a Direção reconheceu e elogiou a decisão pessoal de Catarina Salgueiro de entregar parte do vencimento a uma instituição.
“Eu louvei a atitude pessoal dela. Bem-haja quem olhe para a deficiência”, declarou, acrescentando que esta posição foi assumida com o acordo da Direção do CRIAL.
Catarina Salgueiro acabou por destinar o donativo a outra Instituição Particular de Solidariedade Social. José Carlos da Silva sublinhou, porém, que essa decisão não resultou de uma recusa do CRIAL em receber o apoio.
“A senhora optou por outra instituição. Ponto final. Está resolvido o assunto”, afirmou.
José Carlos da Silva salientou que o CRIAL é uma instituição aberta a todos e que não discrimina apoios em função de partidos políticos, ideologias ou crenças.
“Somos recetivos a tudo. Não negamos ideologias, crenças ou credos. Necessitamos efetivamente de todos estes apoios”, afirmou.
O presidente da Direção recordou ainda que a instituição tem beneficiado de campanhas de angariação de fundos promovidas por diferentes pessoas e entidades, sem estabelecer distinções de natureza política.
Sobre o requerimento apresentado por Catarina Salgueiro para conhecer todos os apoios diretos e indiretos concedidos pela Câmara Municipal de Almeirim ao CRIAL nos últimos cinco anos, José Carlos da Silva mostrou-se favorável ao levantamento.
“Ainda bem que ela pediu e ainda bem que publicaram isso, porque é para mostrar exatamente aquilo que é dado e aquilo que não é dado ao CRIAL, comparativamente com outras instituições”, afirmou.
O pedido da vereadora abrange subsídios ordinários e extraordinários, transferências financeiras, protocolos, contratos-programa, cedências de instalações, equipamentos ou viaturas, pagamento de despesas e outros apoios logísticos, materiais ou em espécie.
Catarina Salgueiro pediu também acesso à documentação apresentada pela instituição para fundamentar os apoios, às deliberações que aprovaram cada verba e, quando aplicável, aos respetivos comprovativos e prestações de contas.
José Carlos da Silva entende que a divulgação destes elementos poderá esclarecer a dimensão dos apoios municipais efetivamente recebidos pelo CRIAL e permitir uma comparação com as verbas e os recursos destinados a outras instituições do concelho.
O presidente da Direção não manifestou, assim, qualquer oposição à fiscalização solicitada pela vereadora. Pelo contrário, considera que o levantamento poderá demonstrar aquilo que a instituição recebeu nos últimos cinco anos e as necessidades financeiras que continua a enfrentar.
Governo deve “milhares de euros” ao CRIAL há quase cinco anos
José Carlos da Silva afirmou ainda que o Governo deve “milhares de euros” ao CRIAL, relativos a verbas que, segundo o presidente da Direção, permanecem por pagar há quase cinco anos.
O responsável defendeu que os representantes políticos, independentemente do partido, devem intervir junto do Governo para ajudar a instituição a receber os montantes alegadamente em dívida.
“Que alguém seja capaz de ir ao Governo e dizer que o Governo deve milhares de euros ao CRIAL e não paga há quase cinco anos”, afirmou.
José Carlos da Silva associou esta situação às dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição e à necessidade de receber apoios públicos e privados para garantir as respostas sociais e as atividades destinadas aos utentes.
Relativamente ao apoio extraordinário de cerca de oito mil euros aprovado pelo Executivo municipal, José Carlos da Silva explicou que a verba foi solicitada para permitir a realização da colónia de férias e a deslocação dos utentes à praia.
Segundo o responsável, o aumento dos custos tornou necessário pedir o apoio à Câmara Municipal de Almeirim.
“Foi a única forma de conseguirmos levar os miúdos à praia. As coisas estão mais caras e, sem esse apoio, não os levamos”, explicou.
O presidente da Direção considera que o levantamento requerido por Catarina Salgueiro poderá também demonstrar que os apoios atribuídos ao CRIAL têm sido limitados face às necessidades da instituição.
A vereadora votou favoravelmente o apoio para a colónia de férias, tal como já tinha feito com uma verba destinada à participação do CRIAL nas marchas populares. Catarina Salgueiro questionou, no entanto, a fundamentação apresentada e pediu informação detalhada sobre a aplicação dos recursos municipais.
José Carlos da Silva confirmou também que Catarina Salgueiro ainda não visitou as instalações do CRIAL, apesar do convite dirigido pela instituição.
O CRIAL convidou a deputada e vereadora a conhecer diretamente o funcionamento da instituição, as respostas sociais disponibilizadas, as atividades desenvolvidas e o trabalho realizado diariamente com os utentes.
O convite surgiu depois das questões levantadas pela autarca relativamente à fundamentação dos apoios municipais e à apresentação de documentação financeira.
Catarina Salgueiro tem votado favoravelmente as propostas de apoio municipal ao CRIAL, mantendo a defesa de uma fiscalização mais detalhada da forma como são fundamentadas e aplicadas as verbas públicas.










