O Dia Mundial da Audição foi assinalado na terça-feira, 3 de março, com uma iniciativa dedicada à surdez infantil, destacando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. A ação, realizada no Auditório do Hospital Distrital de Santarém, reuniu profissionais de saúde, educadores e outros interessados para debater cuidados auditivos desde a comunidade até a escola, alinhando-se com o tema da Organização Mundial da Saúde, “Das comunidades para a sala de aula: cuidados auditivos para todas as crianças”.
A programação incluiu sessões sobre rastreio neonatal, reabilitação auditiva, infecções como citomegalovírus, exames audiológicos e terapia da fala, bem como a apresentação de um projeto-piloto de rastreio auditivo escolar.
Cristina Reis, técnica superior e diretora dos técnicos de diagnóstico e terapêutica, explicou que “a perda auditiva é um problema de saúde pública com impacto na educação e inclusão, recordando que mais de 60% dos casos na infância são evitáveis”. No mesmo sentido, Tatiana Silvestre, administradora do Departamento Cirúrgico, alertou que “a surdez não diagnosticada atempadamente pode comprometer percursos escolares e profissionais” e defendeu “investimento na prevenção e reabilitação”, destacando a importância de apoio contínuo a estas crianças.
No mesmo sentido, Ana Alexandre Calado, diretora clínica dos Cuidados de Saúde Primários, afirmou que “a audição é essencial para a linguagem e o desenvolvimento emocional” e defendeu “uma resposta articulada entre hospital, cuidados primários e escolas, com foco na família e na deteção precoce”. Segundo a mesma, a colaboração entre instituições é essencial para identificar e apoiar os casos de forma rápida.
A presidente da Associação Portuguesa de Audiologistas, Melissa Cravo, destacou que as Unidades Locais de Saúde têm um papel importante no reforço da intervenção da audiologia na comunidade, contribuindo para a sensibilização e a inclusão das crianças com perda auditiva.
Já Pedro Marques, presidente do Conselho de Administração, lembrou que “a surdez é frequentemente uma condição invisível, mas com consequências na autonomia, na comunicação e na integração social”, reforçando a necessidade de “combater o estigma e investir numa gestão em saúde orientada para o valor, centrada no impacto real das intervenções na qualidade de vida das pessoas”.











